Saiba o que considerar na contratação de equipamentos de movimentação de cargas e pessoas

Garantir maior velocidade na movimentação de pessoas e materiais, aumentar a produtividade e permitir o uso de tecnologias construtivas inovadoras e racionalizadas – como os pré-fabricados de concreto, por exemplo – são algumas das vantagens conferidas pelos equipamentos de movimentação de cargas e pessoas nos canteiros.

A lista de máquinas que permitem a mecanização e, consequentemente, a industrialização dos processos construtivos, é extensa: gruas, minigruas, guindastes móveis, elevadores e plataformas de cremalheiras, plataformas de trabalho aéreo, balancins elétricos, manipuladores telescópicos, elevadores de carga, mastros de concreto e bombas de argamassa.

No entanto, seja qual for a tecnologia contratada, o primeiro passo para evitar dor de cabeça na hora de locar (modalidade mais recorrente de contratação) é discutir a sua especificação em conjunto com o fornecedor. Dados como velocidade e potência elétrica demandadas, dimensões, número de utilizações e posicionamento no canteiro devem ser levantados previamente.

“A construtora deve saber o que quer contratar e o fornecedor deve dar todo seu apoio técnico nesse momento. O ideal é que todos esses itens sejam explicitados na proposta”, explica Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, diretor da Produtime Gestão e Tecnologia.

O especialista em projetos de canteiros ressalta que, antes de fechar qualquer negócio, é fundamental entender o que a obra precisa, tanto técnica quanto quantitativamente. No caso de um elevador de cremalheira, por exemplo, deve-se conhecer as dimensões da porta, a posição do motor da máquina e até da caixa de comando interna. “São detalhes importantes que permitem, por exemplo, que paletes sejam ou não acomodados no equipamento e isso impacta no projeto de logística da obra”, exemplifica.

Escolha do fornecedor
Além do histórico de obras e prestação de serviços das empresas, entidades como a Associação Brasileira dos Locadores de Equipamentos e Bens Móveis (Alec) e os Sinduscons são uma boa referência de consulta na hora de bater o martelo.

É importante avaliar a qualidade e a rapidez de suporte técnico oferecidas. Em casos de quebra das máquinas, a empresa deve prestar rápido atendimento à obra, evitando longos períodos de paralisação dos serviços.

Segundo Lemes de Souza, a anotação de Responsabilidade Técnica (ART) é um dever do fornecedor. “Ele deve se responsabilizar pelo equipamento e também pela sua montagem e desmontagem.”

Alguns equipamentos de transporte – tais como gruas, guindastes e elevadores de cremalheiras – são fornecidos com operadores próprios e treinados pelas locadoras. Uma das vantagens dessa modalidade é garantir maior qualificação do serviço e melhor desempenho da máquina na obra.

Quando previamente acordado em contrato, a empresa fornecedora também se responsabiliza pela reposição do operador, caso seja necessário. Caso utilize mão de obra própria para a operação, a construtora deve exigir das locadoras, também em contrato, o treinamento do pessoal no canteiro.

Custo e treinamento
Um dos erros recorrentes das construtoras durante a contratação é focar exclusivamente no item custo, deixando de lado avaliações importantes sobre as condições e a qualidade dos equipamentos.

“Nesse momento de crise e arrefecimento do setor, essa prática ficou ainda mais comum. Vale lembrar, no entanto, que há muitos fornecedores em recuperação judicial, o que obviamente não os impede de prestar seus serviços, mas exige que o contratante assuma todos os riscos por essa contratação mais barata em caso de insolvência dessas empresas”, alerta o presidente da Alec, lembrando que os custos com qualidade, tecnologia e treinamento geralmente são embutidos nos preços de locação.

Para proteger ambas as partes e evitar conflitos durante a entrega e a devolução, o contrato deve trazer claramente a descrição, ano de fabricação, modelo e série dos equipamentos. Com esses dados em mãos, o contratante pode rastrear as reais condições das máquinas, além de poder certificar-se de que está recebendo aquilo que contratou. Antes de fechar com um fornecedor estrangeiro, é fundamental checar se estão estabelecidos com uma figura jurídica no Brasil e se oferecem manuais em português.

Também é indispensável ter um extenso checklist para exigências de documentação. Além das questões de segurança e trabalhistas, garantir que os operários tenham treinamentos minimiza o risco de acidentes e problemas com fiscalizações.

Algumas locadoras oferecem operadores próprios e já treinados, garantindo maior qualificação do serviço e melhor desempenho da máquina na obra

Indenizações e seguros
Outro item importante na negociação é definir com clareza quais são as responsabilidades de ambas as partes na contratação. Historicamente, um dos pontos de estresse na relação entre construtoras e fornecedores são as indenizações cobradas em casos de falta de manutenção e limpeza, avarias e perdas de peças. A subjetividade na mensuração dos valores a serem pagos pode trazer surpresas desagradáveis ao final da negociação. O ideal é que os contratos prevejam os custos de reposição de cada peça, em caso de avarias, perdas ou falta de manutenção.

Segundo Carvalho, para uma operação com esses tipos de máquinas é indispensável ter apólice de Responsabilidade Civil Geral e Cruzada (RC) e Riscos Diversos (RD), para cobertura do equipamento em si.

O RC é obrigação legal da obra, mas é imprescindível que seja do tipo “geral e cruzada”, o que significa que tanto o segurado como seus subempreiteiros estão segurados. Já o RD não é obrigatório, mas altamente recomendável e já há locadoras fornecendo opção de adesão, como é feito na locação de veículos. De acordo com o presidente da Alec, para um equipamento com valor mensal de locação na faixa de R$ 30 mil, os custos de adesão ao RC são de aproximadamente R$ 200 mensais.

CHECKLIST
 Leve em conta a qualidade e não apenas o custo do equipamento;
 Visite o fornecedor e busque informações sobre sua estrutura e experiência no setor;
 Contrate sempre equipamentos de linha, que estejam dentro das condições de atendimento do mercado brasileiro;
 Antes de fechar com o fornecedor, certifique-se de que os equipamentos atendem às necessidades da obra;
 Certifique-se de que as locadoras fornecem operadores ou treinamento para a operação das máquinas;
 Tenha contratos que prevejam custos e condições de indenizações em caso de avarias, perdas, manutenção e limpeza.

NORMAS TÉCNICAS
NBR 16.200 – Elevadores de Canteiros de Obras para Pessoas e Materiais com Cabina Guiada Verticalmente – Requisitos de Segurança para Construção e Instalação
NBR 14.712 – Elevadores elétricos e hidráulicos – Elevadores de carga, monta-cargas e elevadores de maca – Requisitos de segurança para construção e instalação
NBR 14.768 – Guindaste Articulado Hidráulico – Requisitos
NR 18.14.24 – Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção – Movimentação e Transporte de Materiais e Pessoas – Gruas
NBR 4.309 – Equipamentos de Movimentação de Carga – Cabos de Aço – Cuidados, manutenção, instalação, inspeção e descarte
NBR 8.400 – Cálculo de Equipamento Para Levantamento e Movimentação de Cargas
NBR 11.436 – Sinalização Manual Para Movimentação de Carga por Meio de Equipamento Mecânico de Elevação
NBR 13.129 – Cálculo da Carga do Vento em Guindaste
NR-18 – Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção
NR-35 – Trabalho em altura

Por Gisele Cichinelli

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