Veja como funcionam as plataformas de trabalho aéreo

A instalação de piso elevado em escritórios permite organizar e ocultar as instalações, garante o acesso para ma – nutenção e também facilita futuras mudanças de layout. No caso de retrofit de edificações antigas, no entanto, o pé-direito pode impedir o uso do piso elevado. O Código de Obras de São Paulo, referência em muitas cidades do País, exige que as áreas de permanência tenham, no mínimo, 2,5 m de altura livre.

O posicionamento das saídas de emergência também pode dificultar o uso desse tipo de piso. A NBR 9.077:2001 e a Instrução Técnica (IT) 09/2011 do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, regulamentações de proteção contra incêndio, proíbem degraus nos acessos às saídas de emergência. Se houver espaço suficiente, esses desníveis podem ser corrigidos por meio de rampas de inclinação suave, recurso válido também para solucionar o acesso aos elevadores.

Nos escritórios de menor porte, vãos de 10 cm já acomodam as instalações, enquanto nos empreendimentos com grandes áreas de laje ou maior volume de instalações, os vãos devem ter pelo menos 15 cm. O mercado oferece vários tipos de piso elevado e a escolha deve ser feita em função da modulação e da capacidade de carga, conforme a NBR 11.802:1991 – Pisos elevados – Especificação.

Sua instalação requer que a área esteja livre, o que implica planejamento do trabalho em acordo com as necessidades do cliente. Veja, a seguir, como é feito o retrofit de pisos em edifícios de escritórios.

1. Camada de regularização
O projeto precisa considerar interferências entre caixilhos, elevador, saídas de emergência, necessidade de rampas, degraus e a unificação de sanitários. O calculista deve ser consultado sobre a carga na estrutura. A instalação sobre lajes requer camada de regularização antes da fixação das bases do piso elevado.

2. Ajustes 
É necessário fazer o ajuste fino da altura por meio da regulagem das bases. Elas também podem ser ajustadas para nivelar o piso em situações em que há degraus na laje. Use nível de bolha ou trena para assegurar o nivelamento perfeito.

3. Altura
O projeto deve considerar a altura total do conjunto, somando a medida do vão para a passagem das instalações mais a espessura do acabamento escolhido, que muitas vezes é esquecida. Embora pequena à primeira vista, essa diferença cria desníveis que estão em desacordo com a NBR 9.050:2004, norma que trata da acessibilidade, e ainda podem comprometer a instalação de portas e divisórias.

4. Arremate
Nos edifícios com cortina ou pele de vidro não existem alvenaria junto da fachada para fazer o arremate do piso elevado. Nesses casos, a solução usual é subir duas fiadas de blocos para fazer o arremate e depois dar algum tratamento que torne essas fileiras menos visíveis externamente. Se a diferença de nível entre pisos formar um degrau, o projeto deve prever o uso de arremates de alvenaria ou fornecidos pelo fabricante do piso.

5. Acabamento
Dependendo do tipo, o piso elevado pode ficar aparente ou ser revestido com carpete em placas, cerâmicas, pedras ou laminados. É importante que a paginação do revestimento acompanhe a do piso a fim de facilitar a remoção das placas para limpeza do vão e manutenção das instalações.

6. Possibilidades 
O vão do piso elevado pode ocultar a rede de esgoto, bastando furar a placa de piso para a passagem da tubulação. Ele também pode embutir o duto de ar-condicionado nos casos em que o insuflamento é feito por grelha instalada na placa de piso. Outra possibilidade é a criação de jardins sobre a laje com reservatório para irrigação instalado sob o piso.

Por Nanci Corbioli

Apoio técnico: Renata Marques Arquitetura

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