Orçamento real: uso de drywall e steel frame diminui impacto ambiental de obra de edifício em São Paulo

Localizada na cidade de Itu, em São Paulo, a Torre INC, destinada a salas comerciais, foi construída rapidamente pela escolha de materiais para a superestrutura e fundação. Seus 12 pavimentos utilizam uma mistura de concreto com aço nas vigas e é conhecida como uma obra híbrida. Além disso, a escolha dos materiais para a superestrutura e fundação tornou a obra mais leve. Segundo o engenheiro responsável pela obra, Vicente Costallat, um dos diferenciais do empreendimento é ser mais racional e não fugir dos custos por conta de sua industrialização. “Não é uma obra artesanal, a obra comum é muito artesanal, os operários têm que ter habilidade”, afirma Costallat.

A preparação do terreno de 1,6 mil m² foi feita de duas formas: com perfis cravados antecipadamente com painéis de vigas duplas entre eles e cortinas moldadas in loco. O terreno foi cortado em talude a 45°, que avança no terreno do vizinho, que autorizou a obra. Teve como fundação a sapata direta, escolhida por sua vantagem econômica e por ser mais leve, facilitando a execução e agilizando a obra. Esse trecho ficou orçado em R$ 508 mil e participação de 2,70% do total do custo do empreendimento.

Na maioria das obras de construção civil, o item mais oneroso é o da superestrutura, segundo o engenheiro responsável, que destacou não ter extrapolado o orçamento previsto para essa etapa da obra, que ficou em R$ 6,8 milhões, ou 36,29% do total. “Em termos de economia, a estrutura metálica é um pouco mais cara, mas ganha na rapidez, então você consegue economizar nos custos indiretos”, diz Costallat. O empreendimento foi dividido em 15 pavimentos, sendo dois subsolos, um térreo e 12 pavimentos onde são distribuídas as salas.

O sistema de vedação interna foi feito com paredes de drywall, tecnologia escolhida por ser mais rápida e econômica. Além disso, o engenheiro destaca o bom desempenho térmico e acústico dos paletes de drywall, que dão maior flexibilidade para redimensionar as salas. Externamente, a vedação foi feita com steel frame, escolhido por seu acabamento estético, além de deter o mesmo desempenho das placas de drywall, sendo mais rígido com seu perfil metálico. “No projeto original foi prevista uma fachada ventilada, mas ia ficar muito cara”, afirma o engenheiro. A escolha desses materiais e todo o trabalho envolvido para a vedação custou R$ 1,8 milhão, o equivalente a 9,58% do total da obra.

O segundo item mais oneroso da obra foram os serviços técnicos e operacionais, segundo Costallat, devido ao suporte oferecido à equipe, como alimentação e saúde, segurança e manutenção e conservação do canteiro de obra. Esses serviços responderam por 12,85% da obra, ou R$ 2,4 milhões.

O impacto de 6,15% – R$ 1,1 milhões – nas instalações elétricas se deu por possuírem três elevadores e um ar condicionado, que se encontra na cobertura do edifício e em cada sala do prédio, por sistema central. Essa localização faz com que a fachada do empreendimento fique padronizada.

Menor impacto ambiental
A escolha dos materiais, além de proporcionar mais agilidade na construção, também resultou em menor impacto ambiental. “Gasto bem menos energia, menos água. É uma obra seca, como chamamos. Uso quase nada de água aqui, é tudo parafuso”, diz Costallat. O sistema de vedação vertical escolhido também foi apontado como mais sustentável pelo engenheiro, uma vez que diminuiu o custo de obra e reduziu o desperdício de material. “A obra é mais racional e tem menos perdas”, completa. O uso do concreto foi apenas nas fundações, lajes e nos pilares. Essa redução diminuiu o impacto ambiental de toda a obra”, afirma. Somados, alvenaria e vedação custaram R$ 1,8 milhão, ou 9,58% do total.

Pintura
Os itens de revestimentos interno e externo fazem parte do item pintura, orçada em R$ 837 mil e que também pode ser considerada híbrida por suas peculiaridades. Nas vigas aparentes foi usada a pintura epóxi, por ter uma vida útil mais elevada e por ser mais barata que a pintura intumescente – opção dada pelo Corpo de Bombeiros. “Nós não precisamos usá-la, porque o bombeiro não obrigou a pintar as vigas que ficaram à mostra nas fachadas, que é o que nós chamamos de fachada cega – que não tem abertura de janela”, contou Costallat. Os pilares foram envolvidos com concreto armado e na viga foi usado para revestir a argamassa projetada. A previsão de entrega é dezembro de 2016.

Por: Tayane Sette Consultoria Ricardo Antônio – PINI Consultoria

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