Em off: bastidores da construção

Sem noção

Segundo o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, ainda é cedo para saber as consequências da crise institucional que envolveu a queda do ex-ministro Geddel Vieira Lima. O mais preocupante é “que ela possa comprometer o trabalho de uma equipe econômica da maior qualidade técnica e disposta a consertar equívocos”. “O quadro, que já era frágil, piorou”, analisa Giannetti. “Depois de tudo o que se investigou e se apurou no mensalão e na Lava-Jato, eles continuam agindo como se nada estivesse acontecendo. É incrível como a ficha dessa gente não cai.”

Parou de piorar

Na opinião do jornalista Elio Gaspari, o novo governo produziu três números indicativos de que as coisas pararam de piorar: o valor de mercado da Petrobras passou de R$ 101 bilhões para R$ 240 bilhões; o da Eletrobras foi de R$ 9 bilhões para R$ 31 bilhões; e o do Banco do Brasil pulou de R$ 41 bilhões para R$ 78 bilhões.

Meio bi para reformas

Em evento que reuniu cerca de 650 empresários e políticos no Palácio do Planalto, o governo federal lançou em novembro o Cartão Reforma. O programa visa gerar empregos e bancará até R$ 9 mil em material de construção para a reforma de moradias. O valor é 100% subsidiado pelo Tesouro. Os beneficiários (cerca de 3,5 milhões de famílias com renda mensal de até R$ 1,8 mil) só precisam assumir os custos com a mão de obra. O orçamento em 2017 será de R$ 500 milhões. “É menos do que o necessário, mas esse valor foi definido levando em conta o ajuste fiscal”, disse o ministro das Cidades, Bruno Araújo. “Além disso, o primeiro ano será de maturação do projeto, assim como 2009 foi o do Minha Casa Minha Vida.”

Remédio amargo

Nas melhores esquinas do país já se discute que o governo precisa muito mais de pulso firme ao administrar os remédios amargos do que de altos índices de popularidade.

BATE-ESTACA

Sobreviverá?
Se o clima após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff era de alívio, no apagar das luzes de 2016 a grande dúvida é se o presidente Michel Temer chegará até 2018. Para o filósofo Roberto Romano, professor-doutor de ética política na Unicamp, na crise que provocou a queda do ex-ministro Geddel Vieira Lima, Temer demonstrou que não sabe dominar o tempo. “Isso é a essência da lição de Nicolau Maquiavel”, disse Romano. “O político que não controla o tempo não controla os outros.”

Labirinto
Os índices de confiança da construção civil já mostraram mudança de humor, e o leve clima de otimismo que pairou sobre o mercado (do terceiro para o quatro trimestre) logo arrefeceu diante da paralisia do governo com relação aos sobressaltos constantes da política. “O governo está indo na direção certa numa velocidade deplorável”, analisa o economista José Roberto Mendonça de Barros, que calculava um crescimento de 2% em 2017 – mas já reduziu a previsão para 1%. Como há muito o que fazer e nem tudo depende do Congresso -, espera-se que o presidente dê um rumo ao país. Mas primeiro ele precisa tê-lo.

Proporcionalidade
Depois que o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, ameaçou fazer um pedido de intervenção federal, o presidente Temer convocou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para uma reunião. Nela, o presidente pediu a Meirelles que busque formas de ajudar os estados em situação crítica proporcionalmente ao tamanho do rombo de cada um.

No limite
Não precisa ser gênio para entender que na base do crescimento econômico de qualquer país está a educação. “Convém parar de repetir bobagens sobre a PEC do Teto, e não mais confundir limite de gastos públicos totais com cortes de verba para a educação, como tão claramente mostrou Cristovam Buarque, senador que tem autoridade moral para falar isso. Ele foi o criador do Bolsa Escola e é um dos maiores defensores da educação no país”, afirmou a escritora Ana Maria Machado, após coordenar o ciclo de conferências sobre planejamento e políticas públicas, em outubro, na Academia Brasileira de Letras, no Rio.

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