Editorial: tempo de semear boas estratégias

Chegou 2017 e, com o Ano-Novo, vemos os primeiros sinais de recuperação, ainda tímidos, da economia brasileira. Períodos de desaceleração e consequente baixa demanda – que impactam sobremaneira o mercado da construção civil – são ideais para rever estratégia, otimizar processos e definir um plano sólido para a retomada do crescimento.

A matéria de capa desta edição é atemporal, embora muito oportuna neste cenário de orçamentos apertados, quase inviáveis. Conhecer em detalhes as características do terreno, independentemente do porte da obra, é pré-requisito para o estudo preliminar de qualquer projeto. Pode parecer óbvio, mas não é. Nossa reportagem aborda os ensaios, incluindo checagens ao longo da execução da obra, como estratégia eficaz para definições de projeto e até para otimização de custos, mudanças logísticas no canteiro e definição de padrões que aumentam de forma significativa a eficiência da execução. E para isso usa como exemplo dois cases bastante relevantes – um em Goiânia, outro em São Paulo.

Para a obra do Kingdom Park Residence, na capital de Goiás, decidiu-se refazer a sondagem do terreno a partir do nível do segundo subsolo do futuro edifício a fim de obter dados mais precisos. Diante da primeira análise, o projeto de fundações apontou como solução estacas tipo hélices contínuas de 16 metros de profundidade. No entanto, após a realização da segunda análise e duas provas de cargas estáticas, verificou-se que a profundidade da fundação chegaria a 22,6 metros, em média.

Marília Muylaert

Nossa reportagem aborda os ensaios, incluindo checagens ao longo da obra, como estratégia eficaz para definições de projeto e até para otimização de custos, mudanças logísticas no canteiro e definição de padrões que aumentam a eficiência da execução

No caso de São Paulo, o Groupe Allard, responsável pela construção do complexo Cidade Matarazzo, obteve com a atuação da Maffei Engenharia um ensaio que alterou a solução inicial prevista para a fundação com base em um estudo de granulometria do solo, que gerou uma economia direta de R$ 150 milhões e, indireta, de R$ 200 milhões no orçamento da obra. Além do ganho econômicofinanceiro, a mudança na logística contribuiu para o tráfego na cidade – deixaram de circular 2.600 caminhões para a retirada do material do subsolo.

Em meio a esse cenário atribulado de mudanças a que 2017 nos impõe, a já tão falada PEC 241, que congela as despesas do governo federal por até 20 anos com cifras corrigidas pela inflação, tem dominado os canais de comunicação e despertado opiniões controversas. Caso seja conduzida no sentido da desburocratização e da agilidade da concessão de licenciamentos em empreendimentos imobiliários e obras de infraestrutura, a medida poderá ampliar o volume de concessões e Parcerias Público-Privadas, o que impacta diretamente o setor da construção civil. Não à toa, Sinduscon-SP e CBIC se manifestaram a favor dessa PEC.

Ainda sobre 2017, vale lembrar as novidades do Prêmio PINI, que trará cinco categorias: melhores obras, fornecedores de destaque, melhores lançamentos, melhores fornecedores e soluções inovadoras. O regulamento e os prazos para o prêmio estarão disponíveis a partir de março. Feliz Ano-Novo! E boa leitura.

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