Em off: bastidores da construção

Combustível para a decepção

É difícil pensar em adensamento inteligente e sustentável na cidade de São Paulo com tantas leis, decretos, portarias e resoluções que atravancam juridicamente a execução do planejamento urbano. Pior é que, se os políticos começarem a criar condições hoje para melhorar esse cenário, por exemplo, facilitando a construção de empreendimentos de uso misto (com moradia, serviço e trabalho), levará décadas para a cidade mais populosa do Hemisfério Sul se tornar mais dinâmica. Ou seja, o trabalho que todos esperam dos políticos é para ontem.

Adensamento inteligente versus excesso de burocracia

Nenhuma empresa brasileira foi convidada para participar da conclusão das obras da futura Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN), do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. Trata-se de um contrato de cerca de R$ 2 bilhões, que, em tempos de recessão, cairia como uma luva para ajudar na retomada da economia. Ao selecionar 30 empresas estrangeiras (desqualificando as nacionais), a Petrobras enviou um recado à engenharia brasileira. Que pegou muito mal.

 BATE-ESTACA

Diferença gritante

Um apartamento no Rio de Janeiro está sendo vendido, em média, por um preço 34,9% menor do que o pedido inicialmente pelo proprietário. Nesse tipo de comércio, pechinchar sempre foi tradição. Mas essa diferença tão grande entre lance inicial e preço final é (só!) reflexo da crise, mesmo.

Queda de arrecadação

Com a Lava-Jato e sem obras, a arrecadação federal em 2016 de diversos prestadores de serviço praticamente derreteu: os serviços de engenharia recolheram 21% a menos; os de arquitetura, 23%; os de cartografia, 16%; e os de prospecção geológica, 27%.

Aposta

Contrariando estimativas de profissionais do setor privado, um estudo recente da área econômica do governo federal aponta que o PIB potencial nos próximos dez anos é de 3,8%, e o fim da recessão se dará ainda neste primeiro semestre. Obviamente, a retomada não será logo de cara nesse patamar de 3,8%, mas, sim, gradual.

Sob nova geração

Neste momento crítico que a engenharia brasileira atravessa com os desdobramentos da Lava-Jato, há quem possa se considerar abençoado. “Tive muita sorte até hoje porque nunca me ofereceram propina”, diz um fornecedor jovem de equipamentos, com seis anos de experiência no mercado. “Se acontecer, não tenho medo. Vou ter de dizer ”não” pela primeira vez.”

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