Em off: bastidores da construção

Maracanã sem aplausos
Caiu de 35 para dez anos o prazo de vida do teto do Maracanã, depois da aplaudida queima de fogos ocorrida nas cerimônias de abertura e encerramento da Olimpíada. Segundo avaliação de engenheiros, os danos foram causados pela estrutura montada para acomodar os fogos – pesada demais. Para recuperar a vida útil com segurança, o estádio precisará de obras de manutenção ao custo médio de R$ 9 milhões – só na cobertura. Já o valor total da reforma será de R$ 20 milhões, a serem pagos pela empresa que assumir a gestão do estádio nos próximos 32 anos. O que ainda é uma incógnita.

Desastre total
Anunciadas em sua maioria quando o cenário econômico estava favorável, pelo menos oito obras gigantes de infraestrutura serão entregues em até uma década depois do prazo inicial – e com custo final muito acima da previsão. São elas: Canal do Sertão, Comperj, Ferrovia de Integração Oeste-Leste, Ferrovia Norte-Sul – Extensão Sul, Refinaria de Abreu e Lima, Transposição do Rio São Francisco, Usina de Angra 3 e Usina de Belo Monte. Segundo Alexandre Szklo, professor de Planejamento Energético da Coppe-UFRJ, além dos danos da corrupção (como o sobrepreço), muitas obras sofreram as consequências de erros de planejamento que levaram a mudanças do conceito do projeto várias vezes. “No Comperj, hoje não se sabe mais o que é o projeto final, devido a tantas vezes que foi modificado”, afirma Szklo.

Muros limpos
A construtora MRV anunciou na vizinhança de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, que a cada 30 dias sem pichação nos muros de seu empreendimento, o Reserva Solar, faria uma doação de cestas básicas à caridade. A primeira entrega de cestas para os moradores do conjunto habitacional Arariboia, vizinho do Reserva, ocorreu no dia 18 de fevereiro.

Vazio a preencher
A mudança para o Novo Entreposto de São Paulo (Nesp), na Zona Norte da cidade, deixará um vazio urbano de 700 mil m2 na Vila Leopoldina, onde hoje funciona a Ceagesp. Pertencente à União, essa área, cheia de terrenos, fábricas abandonadas e velhos galpões ao redor, pode sofrer uma ocupação caótica nos próximos anos se for largada ao acaso. “Se não tomarmos consciência e definirmos o que a urbanidade exige, a região terminará dominada por um caleidoscópio de empreendimentos, ocupações desordenadas e favelas”, prevê o engenheiro João Crestana, ex-presidente do Secovi-SP.

Novos ares
Em tempos de reestruturação da empresa – e três anos depois do início da Operação Lava-Jato -, a sede da construtora Odebrecht, que já foi o principal braço do grupo, está de mudança do Rio de Janeiro para São Paulo.

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