Por que vale a pena investir no Building Information Modeling

De acordo com o estudo Experiences Exchange in BIM – Building Information Modeling no Brasil e na União Europeia, publicado em 2015, a indústria da construção no Brasil está entre as maiores do mundo, sendo responsável por 2% do setor global. A pesquisa foi uma iniciativa do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços e do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, e foi conduzida pelos professores Mohamad Kassem, engenheiro PhD na Universidade Teesside, na Inglaterra, e consultor BIM da União Europeia, e Sergio R. Leusin de Amorim, da Universidade Federal Fluminense, arquiteto e sócio-gerente da empresa GDP – Gerenciamento e Desenvolvimento de Projetos. Há dois anos, os professores desenvolveram, com suporte do grupo de trabalho Fiesp/Deconcic, um conjunto de recomendações e conclusões para a difusão do BIM no Brasil.

O documento aponta que a inserção do BIM, sigla para Building Information Modeling, vem provocando uma profunda reorganização no setor da construção civil em todo o mundo. De acordo com o engenheiro eletricista Francisco Gonçalves Jr., especialista em produtos e serviços da empresa AltoQi, de tecnologia aplicada à engenharia, o BIM está destinado aos procedimentos envolvidos em todo o ciclo de vida da edificação: projeto, construção, manutenção, demolição. Gonçalves afirma que os projetos podem variar em razão da complexidade da edificação, mas a área principal é a arquitetura, estrutural e complementar, onde várias instalações são atendidas, tais como elétrica, hidráulica, telecomunicações, climatização, preventivo de incêndio e automação. “Outras áreas, como gerenciamento, orçamento de obras e sustentabilidade, também são contempladas nesse processo”, diz Gonçalves.

O impacto do BIM não se limita às edificações, mas alcança desde a indústria de produtos e materiais, passa pelos projetos e obras de edifícios, estradas e outros tipos de infraestrutura e se prolonga pela manutenção e desmonte ou reúso dessas obras. Entretanto, segundo os relatores do estudo Experiences Exchange in BIM – Building Information Modeling no Brasil e na União Europeia, o setor da construção de edifícios pode ser visto como elemento central desse processo de difusão, pois cria demandas para os demais segmentos – e neles orienta a expansão do BIM no Brasil.

Segundo o engenheiro e consultor Leonardo Manzione, dono da Coordenar, especializada na implantação do BIM em empresas, a introdução da plataforma nas companhias deve seguir uma metodologia baseada na melhoria ou mudança dos processos de trabalho. “Nossas maiores demandas são capacitação gerencial e capacitação técnica dos funcionários”, diz. Para Manzione, BIM não é só uma tecnologia para projetos. “Estão catalogados mais de 30 usos da plataforma para as diversas fases do ciclo de vida de um edifício.” O engenheiro acredita que as empresas de projeto estão na dianteira pelo fato de elas iniciarem o processo. “As construtoras, por sua vez, vêm demandando cada vez mais soluções em BIM, tendo como principais objetivos a compatibilização de projetos, os levantamentos quantitativos e o planejamento físico”, afirma Manzione. Ele comenta que nas incorporadoras a adesão às ferramenta tem sido mais lenta, bem como na área de gestão de facilities.

As vantagens do BIM*
A contratação do BIM possibilita criar a inteligência do edifício, transformando seus dados de construção, uso e operação em ativos valiosos. Além disso, o futuro sinaliza para a convergência das tecnologias, que se denomina “Internet das coisas” (IOT). O BIM permitirá a integração do edifício nesse cenário.
A plataforma viabiliza a industrialização da construção, a simulação da execução e dos custos da obra. Essas informações atendem a todo o ciclo de vida da edificação: projeto, construção, manutenção, demolição.
O desenvolvimento simultâneo em três dimensões possibilita a identificação automática de interferências. Os projetos se tornam mais completos e precisos em suas especificações, documentações, orçamentos e quantitativos.
A plataforma gera um diferencial competitivo para os atores envolvidos (projetistas, construtores, empresas de manutenção, entre outros).
A ferramenta possibilita um orçamento mais apurado, com previsão de insumos mais moderados e precisos.
Traz novas possibilidades para efetuar simulações de avaliação da eficiência energética, sustentabilidade e retrofit com maior assertividade.
A empresa tem a possibilidade de aplicar um conceito já utilizado e consolidado em países desenvolvidos.
Atende a exigências de aplicabilidade em obras públicas, evitando fraudes e desvios de verbas em obras.
*FONTES: LEONARDO MANZIONE, DA COORDENAR; FRANCISCO GONÇALVES JR., DA ALTOQI; RAONI SENA FERRAZ, DO VEREDAS ARQUITETURA

Custos de projeto
Estados Unidos, Dinamarca, França, Reino Unido e Singapura são considerados países pioneiros na utilização e no fomento do BIM, por meio de iniciativas governamentais para promover, padronizar e priorizar essa tecnologia em projetos e obras públicas. De acordo com Raoni Ferraz, arquiteto e diretor do Veredas Arquitetura, um escritório engajado às novas tecnologias e com o foco no desenvolvimento de projetos em BIM, infelizmente no Brasil a plataforma ainda é apenas uma tendência, enquanto no exterior já é uma realidade consolidada. “Nosso mercado da construção civil está engatinhando na utilização de tecnologias e recursos que otimizem os processos construtivos”, afirma. Segundo Ferraz, um projeto em BIM pode custar a partir de 20% a mais do que um convencional. “As grandes construtoras e empreiteiras já perceberam as muitas vantagens e a importância do BIM, o que não significa que todas sejam adeptas a ele.” Entretanto, o arquiteto explica que a maior barreira para a sua difusão não é o custo, mas a falta de informação. “Diversas construtoras nunca ouviram falar da ferramenta, mas se entusiasmam com as soluções depois de informadas sobre seus benefícios, independentemente do valor de implantação.”

André Marques, gerente de BIM na Knijnik Engenharia, afirma que os custos variam até onde o cliente pretende ir com o desenvolvimento da ferramenta. “Em relação a um projeto desenvolvido em AutoCAD, o BIM pode custar entre 40% e 50% a mais. Porém, há muitas variáveis nesse processo”, comenta. De acordo com o documento Experiences Exchange in BIM, a primeira mudança profunda que essa ferramenta causa é nas etapas de trabalho dos próprios projetos, na medida em que boa parte das informações que só seriam detalhadas no projeto executivo passa a ser necessária já na concepção do empreendimento. No processo convencional, há o estudo preliminar, quando é dada a largada de todas as bases técnicas, legais e de produto. Depois vem o projeto legal, o anteprojeto ou pré-executivo, para só então chegar ao executivo, em que todas as informações deverão ser inseridas com detalhes. No caso do BIM, é preciso iniciar o modelo como se fosse a versão executiva final, com todas as informações e detalhamentos.

A interação entre todas as disciplinas também muda. Hoje, a elaboração de projetos é feita em círculo: da arquitetura vai para a estrutura, e os projetos são compatibilizados entre si; depois segue para as instalações elétricas e para a compatibilização; depois para as hidráulicas e para a compatibilização, e assim por diante. Com o BIM, a troca de informações é constante, porque todas as disciplinas alimentam um único modelo, que deve ser discutido e adaptado o tempo todo. Para Raoni Ferraz, do Veredas, no BIM todos os elementos da construção são simulados em um ambiente virtual e cada um deles pode ser listado de forma automatizada. A partir da listagem de quantitativos, pode ser atrelado o fator custo relativo à matéria-prima e mão de obra. “Além disso, o orçamento pode ser atualizado a qualquer tempo, sempre que houver alterações no projeto”, explica Ferraz. Caso haja necessidade de execução de serviços de uma forma diferente, o BIM auxilia no detalhamento para que o orçamentista desenvolva a melhor composição unitária.

A tecnologia BIM pode melhorar os custos finais de um projeto, pois, a partir da precisão dos orçamentos e de um planejamento bem estruturado, é possível evitar retrabalho e desperdício de material, gerando enxugamento de custos. “Isso impacta diretamente o valor final da obra, já que com o BIM eficiência e economia são aliadas aos processos construtivos”, afirma Ferraz. Francisco Gonçalves Jr., da AltoQi, esclarece que, por meio do uso do modelo virtual da edificação, pode-se antecipar diversos problemas na etapa de projeto. “A análise de interferências entre as disciplinas do projeto arquitetônico, estrutural e complementar pode prever contratempos que são resolvidos antes do início da obra”, diz Gonçalves. Com isso, é possível reduzir desperdício de material, tempo de parada e de mão de obra.

Ele afirma que os cronogramas também são mais precisos e assertivos, sendo possível simular virtualmente todas as etapas da obra em diversos cenários, proporcionando um acompanhamento detalhado do que é planejado, executado e gasto em cada etapa. “Dispomos de informações importantes para que a tomada de decisão dos gestores traga o menor impacto nos custos finais. Tudo é feito com maior qualidade, eficiência e ações sustentáveis”, diz Gonçalves. Entretanto, como toda nova tecnologia, ainda não há uma padronização de ferramentas e métodos bem consolidados, pois muitas etapas e processos estão em fase de amadurecimento e desenvolvimento. O mercado ainda está ajustando o que seriam os “entregáveis” para o cliente final em uma contratação em BIM.

Mudanças na cultura das empresas
Trabalhar com BIM demanda treinamento e customização. Cada empresa deve avaliar e desenvolver o modelo específico para as suas necessidades. Há diferentes formas de trabalhar com o conceito: existem construtoras que estimulam seus projetistas terceirizados a desenvolver todas as etapas em BIM, integrando os processos de forma plena. E há outras que recebem os projetos em CAD e modelam somente pontos críticos, para detectar possíveis incompatibilidades. De acordo com Leonardo Manzione, da Coordenar, o BIM não é um serviço que se “compra”, mas um processo que se compartilha com parceiros especializados. “Por ser parte do core business da empresa, a inteligência do BIM não é terceirizável”, afirma. Para ele, a relação cliente-fornecedor em BIM deve ser trocada para uma parceria ganha-ganha – e, nesse sentido, o tamanho da companhia é um fator de menor relevância. “Os fatores preponderantes são a atividade fim, que determinará os usos possíveis do BIM e a gestão dos processos que estarão relacionados à plataforma”, diz Manzione.

Raoni Ferraz também enfatiza que, independentemente do tamanho da empresa o que realmente importa para detectar um gargalo é a compreensão dos processos. Através do BIM é possível otimizá-los de todas as formas, trazendo um resultado positivo ao fim da obra, bem como a identificação tanto de pequenos quanto de grandes obstáculos. “O ideal é ter uma reestruturação de processos junto ao uso do BIM”, afirma o diretor do Veredas. Ele dá um exemplo: uma construtora de pequeno porte que ao longo de um ano percebe que as obras têm tido um valor superior àquele planejado, ao utilizar o BIM pode sanar esse e outros gargalos possíveis a partir da precisão dos orçamentos, do controle de qualidade e da redução do desperdício de materiais.

Para implementar o conceito é preciso, antes de tudo, fazer gastos expressivos com as licenças dos softwares, treinamento dos usuários e computadores mais potentes. “Existem mais de 200 softwares que são BIM e fazem coisas completamente diferentes”, explica Leonardo Manzione. O engenheiro acredita que em todas as construtoras o grande desafio não está no investimento, mas sim na inserção de uma nova cultura de trabalho no cotidiano dos profissionais. “Tudo isso demanda uma remodelação dos departamentos de projeto, gestão e orçamento das empresas, além de um tempo de aprendizagem dos usuários.”

De acordo com Manzione, o BIM pode ser aplicado em todas as etapas do ciclo de vida de um edifício. “As informações depositadas no modelo BIM passam a fazer parte do ativo da obra, ou seja, um asset que agrega valor ao projeto”, afirma. Entretanto, Raoni Ferraz alerta que, quanto mais explorada é a metodologia, maiores são os ganhos. “Hoje temos uma grande dificuldade de encontrar projetistas parceiros de outras disciplinas que trabalhem em BIM”, explica o arquiteto. Ele diz que isso dificulta na compatibilização dos projetos, pois uma parte está dentro da plataforma e a outra, em CAD 2D.

Apesar de poder ser aplicado em qualquer etapa de uma obra, os profissionais não recomendam o desmembramento de BIM apenas para orçar, planejar ou gerenciar, por exemplo. “A premissa do BIM é a colaboração, interoperabilidade e engenharia simultânea”, afirma Francisco Gonçalves Jr., da AltoQi. Ele explica que a fragmentação desses processos pode não ser muito eficiente, mas vai depender da necessidade de cada empreendimento e da estratégia da construtora no momento da contratação. Gonçalves diz que o cliente pode ter uma equipe capacitada para desenvolver todas essas atividades dentro de casa, ou contratar separadamente os serviços de empresas especializadas. “Porém, essa divisão irá impactar os custos”, afirma. O engenheiro acredita que em algumas ocasiões é vantajoso manter uma equipe interna para desenvolver etapas distintas.

De acordo com Raoni Ferraz, o BIM pode ser aplicado em qualquer fase de um projeto sem comprometer o resultado final. “Mesmo com sua aplicação, em apenas uma etapa é possível garantir vantagens como a detecção de interferências”, comenta. Para ele, a partir disso é extremamente interessante que as etapas subsequentes, como orçamentos e planejamento de obra, sejam realizadas com base na plataforma, aproveitando os benefícios garantidos anteriormente. “Sabendo que adotar o BIM é dar um passo à frente, não seria interessante voltar atrás e retomar o método tradicional para fazer projeto, orçamento ou planejamento”, recomenda Ferraz. Segundo o arquiteto, quanto mais tarde é aplicado o BIM, maior o retrabalho para adequar o projeto a ele. Confira a seguir um case de implementação de metodologia BIM em construtora e dois exemplos de uso da tecnologia na prática.

Como contratar um BIM*
Em primeiro lugar, o contratante deverá saber quais são os seus objetivos e usos pretendidos com o BIM. O contrato de serviços em BIM tem um escopo totalmente diferente do escopo tradicional de projetos. Ele deve prever, entre diversas ações, o Nível de Desenvolvimento do Modelo, que deve estar vinculado aos pagamentos e os “entregáveis”, ou seja, o cliente deve receber os modelos em formato nativo do software de modelagem e também no formato IFC.

Deve constar no contrato o Plano de Projeto em BIM, que é um documento que estabelece as responsabilidades e as regras do funcionamento do processo de projeto. Isso inclui as maneiras como os arquivos serão compartilhados, o uso de nuvem para armazenamento e compartilhamento, a gestão e a coordenação do projeto e a formatação das reuniões, entre outros.

O modelo exige que os contratantes tenham uma abordagem mais integral e com foco no custo e desempenho do empreendimento a longo prazo, incluindo, por exemplo, o custo de operação dos edifícios.

Hoje, podemos destacar o Caderno de Apresentação de Projetos em BIM do governo do estado de Santa Catarina, documento que traz os procedimentos para o desenvolvimento de projetos em BIM para obras públicas e exige sua utilização como anexo em editais para contratação de projetos desenvolvidos por meio dessa tecnologia. Nele, estão definidas a padronização e a formatação que orientam o desenvolvimento dos projetos em BIM, para que sejam entregues ao governo do estado.

*FONTES: LEONARDO MANZIONE, DA COORDENAR; FRANCISCO GONÇALVES JR., DA ALTO QI; RAONI SENA FERRAZ, DO VEREDAS ARQUITETURA

Exemplo de implementação de metodologia BIM em construtora
Desenvolvido pela Coordenar Consultoria BIM e Coordenação de Projetos para a Rôgga Empreendimentos (SC)

O case mais significativo da empresa foi a implantação do BIM na Rôgga Empreendimentos, uma construtora de Joinville. Segundo Leonardo Manzione, o trabalho foi desenvolvido de novembro de 2015 a junho de 2016 para todos os projetos em andamento. O engenheiro explica que foi um estágio de transição, em que conviviam trabalhos convencionais e seis novos projetos em BIM. “Os custos ainda estão sendo apurados, pois as obras estão em execução no momento”, afirma. O trabalho teve o seguinte escopo:
Diagnóstico do processo BIM;
Redesenho de processos e do organograma funcional para o BIM;
Avaliação para a escolha do Líder BIM na Rôgga;
Definição dos padrões de troca de informações e interoperabilidade;
Definição do modelo de progressão das informações;
Revisão dos escopos de contrato dos projetistas para uso do BIM;
Capacitação da equipe interna na gestão e coordenação do projeto em BIM;
Treinamento para o software de análise de qualidade;
Orientação e fornecimento de diretrizes de trabalho para os parceiros de projeto;
Monitoramento do desenvolvimento dos projetos;
Fornecimento de treinamento na tarefa, orientando a ação em situações práticas;
Fornecimento de diretrizes para os conjuntos de competências BIM nas áreas de tecnologia, processos e políticas;
Educação conceitual para a fixação dos conceitos básicos necessários ao correto entendimento dos processos em BIM.

VISÃO GERAL DA METODOLOGIA DE IMPLANTAÇÃO DO BIM
FONTE: COORDENAR/2017

PASSO 1: DIAGNÓSTICO E PLANEJAMENTO
Para converter os investimentos em valor agregado para o desempenho do BIM, a primeira etapa começa por um Diagnóstico Organizacional, seguida do Planejamento. O Diagnóstico Organizacional é uma maneira eficaz de olhar para uma organização e determinar as lacunas entre o desempenho atual e o desejado e, a partir dele, definir os alvos futuros, identificar as falhas de capacitação e construir estratégias para cobrir essas lacunas. O objetivo é consolidar o conhecimento do grau de maturidade BIM da empresa, perceber os pontos que necessitam de melhorias e estabelecer um plano de ações para os ajustes e melhorias necessários.

O Planejamento deriva do Diagnóstico e consiste no estabelecimento claro dos objetivos do BIM a serem atingidos, de um orçamento dos custos da implantação, de um cronograma de trabalho e de sua métrica de avaliação do progresso.

DIAGNÓSTICO E PLANEJAMENTO
FONTE: COORDENAR/2017

PASSO 2: EDUCAÇÃO CONCEITUAL EM BIM
Para iniciar um projeto em BIM é necessário introduzir os conceitos para o desenvolvimento dos processos desse trabalho. A Coordenar ministra seminários para a fixação dos conceitos básicos necessários ao correto entendimento dos processos e conceitos em BIM. O cliente também é preparado para entender e desenvolver os conjuntos de competências em BIM necessários nas áreas de tecnologia, processos e políticas.

ESTRUTURA CONCEITUAL DO CONHECIMENTO EM BIM
FONTE: COORDENAR/2017

PASSO 3: ESCOLHA DO SOFTWARE DE MODELAGEM, TREINAMENTO E CUSTOMIZAÇÃO
A escolha do software de modelagem dependerá do uso do BIM desejado pelo cliente. São estudadas as alternativas para a decisão pelo melhor critério de custo versus benefício. São produzidos, conforme a necessidade do cliente, as bibliotecas de objetos e os templates para iniciar os projetos imediatamente.

PASSO 4: IMPLANTAÇÃO DE CONTROLE DE QUALIDADE UTILIZANDO O SOFTWARE
Nesse momento, deve-se escolher o software de análise da qualidade dos modelos. Há diversos produtos disponíveis nessa categoria. O software deve ser capaz de identificar colisões, possibilitar a extração de informações quantitativas e qualitativas e analisar os projetos em relação às regras do código de obras ou customizadas pelo próprio usuário.

PASSO 5: DESENHO DOS NOVOS PROCESSOS EM BIM
A criação de um modelo de informações de um edifício é um processo social, coletivo e interativo. A produção do modelo do edifício irá requerer habilidades técnicas relacionadas tanto ao conhecimento específico da especialidade envolvida quanto aos conhecimentos e às habilidades necessárias para a produção do modelo de informação. O principal aspecto a ser trabalhado durante a implantação do BIM são as mudanças dos processos convencionais para os novos processos exigidos pelo BIM. A tecnologia dos softwares é entendida mais facilmente. Os cinco maiores aspectos que precisam ser resolvidos nessa fase são:
Identificar os processos existentes;
Fazer a análise crítica e ter ideias das revisões a serem feitas;
Redesenhar os novos processos;
Definir padrões de troca, fluxo de trabalho e interoperabilidade;
Implantar e testar os novos processos.
Com os resultados obtidos retornar às fases anteriores e fazer acertos até que os processos se ajustem à nova realidade.

PASSO 6: IMPLANTAÇÃO DO PROJETO-PILOTO
O principal objetivo do projeto-piloto é fornecer treinamento prático nas tarefas, orientando a ação em situações reais para a equipe BIM. Além de questões relativas ao uso do software de modelagem, são discutidos os aspectos de qualidade e o nível de detalhe do modelo – e são experimentadas situações de trabalho colaborativo.

PASSO 7: TRABALHO COLABORATIVO COM A PLATAFORMA DE GESTÃO DE PROJETOS
Durante o período da implantação do BIM é fundamental utilizar uma plataforma de gestão dos projetos que permita visualizar e controlar as tarefas em tempo real. Com o uso dessa ferramenta pode-se desenvolver o treinamento do processo de trabalho colaborativo.

PASSO 8: GESTÃO DO CONHECIMENTO NA CRIAÇÃO DO MANUAL BIM DA EMPRESA
Todo o conhecimento e a experiência que foram adquiridos durante a fase de consultoria serão sistematizados por meio da elaboração de um Manual BIM da empresa. Um dos pontos importantes que constarão do manual será a definição de contratos para prestadores de serviço ou para a venda de serviços em BIM, dependendo do caso.

Cruzamento de tubulação hidrossanitária e viga estrutural
Modelo BIM realizado pela AltoQi para a Três Eng Projetos de Engenharia (SC)

O projeto do case é um empreendimento residencial em Florianópolis, desenvolvido pela Três Eng, uma empresa especializada em projetos estruturais e otimização de estruturas de concreto armado moldado in loco, concreto pré-moldado, estruturas metálicas e alvenaria estrutural. O projeto foi desenvolvido entre 2015 e 2016 e o edifício ainda está em construção.

 

De acordo com Francisco Gonçalves Jr., para superar o desafio durante a fase de projetos é necessário organizar adequadamente uma grande quantidade de informações e detalhes. Na imagem ao lado, podemos ter uma ideia da quantidade de informações e profissionais envolvidos apenas na parte externa da edificação.

Foi criada uma política interna de trabalho na qual todos deveriam trabalhar dentro do QiCloud e manter a estrutura de arquivos comum para a colaboração simultânea. A plataforma QiCloud também foi utilizada para gerenciar as atividades de colaboração entre os projetistas e o controle das pranchas junto à construtora.

Lidar com prazos, orçamentos e tempo na elaboração de projetos de engenharia exige lógica e planejamento, porém, com a utilização de ferramentas que automatizam a combinação de elementos e geometria, o objetivo pode ser mais facilmente alcançado. No final, mais do que garantir a expertise da equipe, é preciso que todos trabalhem juntos, sem ruídos de comunicação, e comprometidos com os prazos e entregas. Para isso, as ferramentas que automatizam os processos podem ser excelentes aliadas na hora de gerar quantitativos e detalhes essenciais para o planejamento, controle e organização da construção.

A escolha do software correto fez toda a diferença nos resultados. Quando se trabalha sem o conceito BIM, cada profissional faz seus processos de forma independente e só depois verificará se há alguma interferência. Pensando nos quantitativos de um projeto elétrico e hidráulico, é praticamente impossível optar por uma ferramenta genérica para gerar relatórios de 23.000 m² com especificidades e associação entre itens, desde tubos e conexões até caixas d””””água.

Além disso, como todas as ferramentas possuem pontos em comum, na hora de marcar o desenho (o IFC nas plantas) de um para outro a comunicação se torna mais fácil e se consegue manter o padrão do projeto dentro do gerenciamento dessas pranchas. Num projeto estrutural de grande porte, por exemplo, pode haver uma média de mais de 500 pranchas, o que exige o auxílio de ferramentas especiais para não existir descompassos.

Com o BIM e a possibilidade da modelagem 3D, as representações de elevações se tornam muito mais reais – por exemplo, as inclinações de um tubo em hidrossanitário. A partir das ferramentas listadas anteriormente e do uso de BIM, os projetistas da empresa Três Eng conseguiram visualizar um modelo muito mais próximo da construção real. A passagem da tubulação hidrossanitária através de uma viga, visível no detalhe abaixo, refletiu no dimensionamento e no detalhamento da viga.

BIM na fase de concepção: plataforma única garante agilidade
Projeto do Veredas Arquitetura para o Co [Lab+Liv] (MG)

O projeto do Co [Lab+Liv], um espaço que explora o conceito de coworking associado a residências compactas, foi inteiramente projetado em BIM entre 2015 e 2016. “Produzimos hipermodelos nos quais o cliente pode visualizar a edificação em toda sua completude: plantas, cortes e fachadas, tudo por meio de alguns cliques no tablet ou no smartphone”, explica Raoni Ferraz, do Veradas. A partir do aplicativo do BIM o modelo foi disponibilizado para o cliente utilizá-lo com um recurso de apresentação de projeto junto ao setor comercial e de marketing.

Neste case, o BIM foi aplicado a partir da ferramenta ArchiCAD. Desde a fase de concepção até a etapa executiva do projeto foi significativa a utilização da metodologia para obter uma leitura tridimensional, evitando que incompatibilidades fossem levadas adiante.

Utilizar o BIM na fase de concepção garantiu maior agilidade no desenvolvimento do projeto e economia de tempo devido à concentração de informações dentro de uma mesma plataforma. Não foi necessário realizar a modelagem em softwares específicos, pois ela já foi produzida com seu desenvolvimento. O próprio modelo BIM permite a produção do material de apresentação com imagens em 3D, gráficos, hipermodelos, plantas e outros. Além disso, nessa fase inicial, o BIM garante um controle preciso em relação aos quantitativos, às áreas do projeto e aos custos.

Já em fase de projeto executivo, alguns dos projetos complementares foram desenvolvidos em BIM, o que garantiu uma economia de tempo quanto à modelagem, eliminando o retrabalho na hora de realizar a compatibilização. Ao final do desenvolvimento, foi possível extrair informações instantaneamente. As listagens dos componentes e suas características já estavam automatizadas e vinculadas ao modelo BIM.

Dessa forma, o projeto garantiu otimização ao trabalho do orçamentista. No BIM 5D, a empresa vincula o orçamento ao modelo 3D BIM. Assim, é possível produzir os quantitativos por meio dos softwares de orçamento, garantindo a precisão dos quantitativos, já que as possíveis alterações no modelo podem ser atualizadas de forma automática no orçamento.

Para Ferraz, entre todos os valores agregados ao longo do projeto, a economia de tempo em relação ao volume de trabalho é uma das principais vantagens. “Tempo é um dos grandes bens contemporâneos. Garantir qualidade na entrega de um projeto realizado com grande agilidade faz toda a diferença”, afirma.

Por Alexandra Gonsalez

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