Vice-presidente de Área Técnica do Sinduscon-PR fala sobre potencial do Curitiba Tecnoparque para o setor da construção

O Observatório das Metrópoles é um projeto conduzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), coordenado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPUR), com pesquisadores de 59 instituições universitárias. Em setembro de 2016, a entidade divulgou uma pesquisa que mostra que o Índice de Bem-Estar Urbano (Ibeu) da cidade de Curitiba é o terceiro melhor entre as capitais brasileiras. Aplicado em 5.565 municípios, o Ibeu avalia cinco dimensões de qualidade da vida urbana: infraestrutura, mobilidade, condições ambientais e sanitárias, condições habitacionais e serviços coletivos urbanos de água, esgoto, energia e coleta de lixo.

Todos esses quesitos somados, com destaque para a infraestrutura de base, como pavimentação, calçamento e iluminação pública, são os fatores que impulsionaram, em 2007, a criação do Curitiba Tecnoparque, formado por quatro polos, localizados nas regiões sul e leste da cidade, onde há a maior concentração de ativos tecnológicos. Nessas áreas estão instaladas as três principais universidades do estado e várias entidades dedicadas à pesquisa. Distribuído em uma área de 127 mil m², o local oferece estrutura física para abrigar empresas de alta tecnologia, às quais são oferecidas incentivos como condições especiais de espaço, isenção de tributação imobiliária, suporte tecnológico e de infraestrutura.

Atualmente, há mais de 150 empresas instaladas no polo, com expertise nas áreas de sistemas de TI, equipamentos de informática, desenvolvimento e consultoria de software e hardware; pesquisa e desenvolvimento, design, laboratórios de ensaios e testes de qualidade e aqueles dedicados aos estudos de novas tecnologias, como biotecnologia, nanotecnologia, saúde e novos materiais. Mais de R$ 200 milhões já foram investidos pelas empresas do programa. O complexo tem ainda um Núcleo Empresarial, que contempla uso comerciais, de serviços e de habitação, somando aproximadamente 400 mil m2 de área construída.

De acordo com a assessoria de imprensa do governo do estado do Paraná, a ocupação proposta é de 46 mil usuários, podendo chegar a 68 mil. Para Euclesio Finatti, vice-presidente de Área Técnica do Sinduscon-PR, o Curitiba Tecnoparque confirma a vocação da cidade para a vanguarda em aspectos urbanos, e isso se reflete em investimentos. “A oferta de infraestrutura de um município tem um peso grande nas tomadas de decisão de negócios de uma empresa”, afirma Finatti.

Curitiba vem se consolidando como uma das maiores regiões do país orientada por planos urbanos para receber empresas de tecnologia. Como o senhor observa o avanço dessa característica e a que atribui seu sucesso?
A cidade sempre foi um exemplo de projetos de vanguarda no país em relação a aspectos urbanos. Um desses exemplos é o BRT (Bus Rapid Transit), um sistema de ônibus que opera em canaletas exclusivas que se transformou em ícone. Algumas gestões municipais, apesar da descontinuidade de certas obras, conseguiram criar uma agenda positiva para a cidade, desenvolvendo planos além da questão do transporte coletivo, atraindo investimentos, por meio de incentivos, para o polo tecnológico. Seu sucesso se deve, em grande parte, à infraestrutura e aos equipamentos públicos eficientes.

Esse tipo de empreendimento tem impacto na valorização imobiliária? Contribui para a atração de capital para investimentos em imóveis e terrenos?
Todas as vezes em que há grandes incentivos em progresso, como ocorre no Tecnoparque, existe um impacto na área imobiliária, que nem sempre é positivo para todas as frentes de atuação no segmento da construção. Certamente, há um avanço imobiliário no entorno, com atração de investimentos, mas não é possível comparar o impacto de atração de capital em um bairro nobre da cidade, por exemplo, a uma área mais afastada. É uma nova frente de atuação. Aconteceu o mesmo no entorno da Rua João Chede e da Avenida Juscelino Kubitschek, na Cidade Industrial de Curitiba, conhecida como “avenida das montadoras”, pois ali estão localizadas diversas fábricas de automóveis. Quando as primeiras montadoras chegaram, houve um incremento imobiliário. Atualmente, essas regiões ainda têm poder de atrair capital para imóveis e terrenos – há demanda para ambos nas proximidades do Tecnoparque. Acredito que agora, com a crise começando a arrefecer, haverá novas oportunidades, mesmo porque já há imóveis consolidados e pessoas buscando viver perto do local de trabalho.

Núcleo empresarial
Área total de 127.461,46 m² com proposta de indução até instalação de estrutura física para abrigar empresas de alta tecnologia.Contempla uso comerciais, de serviços e de habitação transitória. Quando completo, somará aproximadamente 400 mil m² de área construída. A ocupação proposta é de 46 mil usuários, podendo chegar a 68 mil

“O Tecnoparque tem um enorme potencial de desenvolvimento, mas a grande expectativa para o setor como um todo é a retomada de uma política econômica mais segura. O setor de construção civil se alavanca graças a dois componentes principais: as garantias do emprego e do crédito.”

Além de uma operação urbana eficiente, quais são as outras características necessárias para atrair um empreendimento como o Tecnoparque?
A infraestrutura de base é a chave para toda a operação. É preciso garantir a qualidade das soluções de infraestrutura. Além disso, há a questão de incentivos fiscais em diversas instâncias, essenciais para a implantação de operações desse porte.

Em 2012, a Câmara Municipal de Curitiba aprovou o projeto de lei que ampliou os benefícios fiscais de Imposto Sobre Serviços (ISS) do Programa Tecnoparque para todo o perímetro urbano do município. O setor de construção recebeu algum incentivo fiscal para operar na região do Tecnoparque?
A questão fiscal é muito importante. É preciso oferecer algum incentivo para que haja o investimento. Atualmente, conduzimos um trabalho forte com o poder público para desenvolver políticas de incentivo de obras naquela região. Temos mais de 1.000 associados que operam sem nenhum incentivo para construir. Acredito que a base de benefícios fiscais também deveria se estender ao nosso setor.

De onde são as construtoras e incorporadoras que atuam nesse empreendimento? Qual é o parecer do Sinduscon-PR sobre esse tipo de obra?
Há players de fora, mas a maioria das construtoras e incorporadoras são locais. Depois de um momento de estagnação em 2016, agora voltamos os olhos para o Tecnoparque como um nicho de oportunidades. As construtoras estão otimistas, com uma expectativa positiva em relação às demandas construtivas nas áreas dos polos. Há também um nicho de empresas startups que está se desenvolvendo significativamente em Curitiba. Esperamos que esse outro segmento retome a velocidade dos investimentos.

Qual é a expectativa da iniciativa para o setor?
O Tecnoparque tem um enorme potencial de desenvolvimento, mas a grande expectativa para o setor como um todo é a retomada de uma política econômica mais segura. O setor de construção civil se alavanca graças a dois componentes principais: as garantias do emprego e do crédito. O crédito se dá tanto por meio da pessoa física, que deseja comprar um imóvel, quanto das instâncias públicas, que precisam investir em infraestrutura nas cidades, como asfalto, saneamento básico, água, luz. Também ficamos na dependência de um grande crédito para isso. No ano passado, não houve um aporte substancial, pois o governo federal está sem verbas para investimentos. Agora, conseguimos vislumbrar uma luzinha no fim do túnel e passamos a ter esperanças.


“O crédito se dá tanto por meio da pessoa física, que deseja comprar um imóvel, quanto das instâncias públicas, que precisam investir em infraestrutura.”

Setores de atividades incentivadas pelo programa: *

 Sistemas de telecomunicações: equipamentos e serviços.
 Equipamentos de informática: hardware e periféricos.
 Serviços de informática: desenvolvimento de software, consultoria em hardware e software, gestão de dados e distribuição eletrônica de informações.
 Pesquisa e desenvolvimento.
 Design.
 Laboratórios de ensaios e testes de qualidade.
 Instrumentos de precisão e automação industrial.
 Novas tecnologias: biotecnologia, nanotecnologia, saúde, novos materiais e tecnologias ambientais.

Incentivos do Programa Curitiba Tecnoparque. *

As empresas enquadradas quando da obtenção da aprovação de seus projetos passam a contar com alíquota de 2% de Imposto Sobre Serviços (ISS). Quando implantadas, o regime de tributação imobiliária dessas empresas será de:
 Isenção do Imposto sobre a Transmissão “inter vivos” de Bens Imóveis (ITBI), referente à aquisição de imóvel destinado à sua implantação ou ampliação de atividades.
 Isenção, pelo prazo de 10 anos, dos seguintes tributos:
 Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU);
 Taxas de serviços e pelo poder de polícia e contribuição de melhoria.
 Redução de 50% do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) pelo prazo de 5 anos, incidente sobre o imóvel locado a contar do exercício posterior à data de locação.


* WWW.AGENCIA.CURITIBA.PR.GOV.BR

Por Alexandra Gonsalez

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