Em meio à estagnação do mercado, construtoras incorporam aos projetos objetos de desejo para atrair novos consumidores

“É preciso pensar na vocação de um local antes de lançar um empreendimento, levando em conta a oferta de terrenos, o gabarito e o aproveitamento da área.”
Fabio Villas-Bôas, conselheiro do Sinduscon-SP e coordenador do Comitê de Meio Ambiente (Comasp)

A aquisição de um imóvel costuma ter uma relação direta com o ciclo de vida do consumidor. Fabio Villas-Bôas, conselheiro do Sinduscon-SP e coordenador do Comitê de Meio Ambiente (Comasp) na mesma instituição, afirma que os principais motivos que levam alguém a buscar uma unidade residencial, seja a primeira, seja uma troca, geralmente estão relacionados a variáveis como casamento, aumento da família, carreira em ascensão, fim de uma união, saída dos filhos de casa, mais carros na garagem.

Atualmente, a tecnologia tem contribuído para ajudar o comprador na busca de um apartamento dos sonhos, deixando-o mais independente do corretor imobiliário para obter as referências necessárias sobre o imóvel. Com dois cliques é possível encontrar lançamentos nos bairros desejados, obter informações sobre financiamento, fazer visitas virtuais e simular alterações em plantas. Além das possibilidades de conseguir todos os dados da unidade sem sair de casa, o cliente em potencial também pode observar com mais atenção detalhes dos estilos arquitetônicos.

No fim da década de 90 e início dos anos 2000, o estilo “neoclássico bege” se disseminou por grande parte das construções brasileiras e passou a ser praticamente um padrão do mercado dali por diante. Na década seguinte, as varandas gourmets despontaram como uma unanimidade, especialmente nas edificações de alto padrão. Curiosamente, essa extensão da sala não é um modismo, mas sim uma solução de projeto. “Há regras que consideram a varanda como área não computável, para efeito de aplicação da legislação envolvendo o potencial construtivo”, explica o conselheiro do Sinduscon-SP. Para Villas-Bôas, a solução aplicada em alguns modelos de projeto acabou agradando incorporadoras e consumidores. “Nosso negócio tem a característica de ”efeito manada”. Quando uma fórmula tem sucesso, todos a copiam.”

De acordo com o arquiteto Frederico Bretones, do escritório Bretones e Carvalho Arquitetura, de Goiânia, é importante estar atento às demandas dos clientes, sentidas durante o processo de desenvolvimento de produtos pelas incorporadoras, coletando dados e fazendo pesquisas de satisfação. “Sobretudo vale a sensibilidade de procurar entender e antecipar como as pessoas gostarão de morar”, diz. Bretones comenta que os espaços de lazer têm sido muito valorizados. “Há um alto investimento em desenvolvimento do produto para oferecer o melhor aos clientes nas áreas comuns.”

Fabio Villas-Bôas afirma que o mercado disponibiliza uma gama infinita de estilos de projetos, especialmente no alto padrão, porque também há um leque bastante variado de desejos dos consumidores. Hoje, com o preço do metro quadrado mais elevado e pouca oferta de terrenos nos bairros centrais das grandes metrópoles, os apartamentos estão ficando mais compactos, também para atender à demanda da nova classe média. E quem vive nas capitais procura “combos” no entorno do imóvel antes de assinar o contrato. Itens como proximidade do trabalho ou do estudo, facilidade de acesso a transporte público e uma boa rede de comércio e serviços são tão importantes quanto a varanda epaçosa ou uma área de lazer turbinada.

A essas variáveis, soma-se o afeto do comprador por determinadas regiões. Segundo o conselheiro do Sinduscon-SP, diversas pesquisas de mercado mostram que a maioria dos clientes prefere fechar negócio no bairro onde já vive, tem a família por perto, ou porque é o lugar onde a pessoa cresceu e mantém um círculo social. Porém, nem sempre é simples atender a todas essas demandas juntas. “É preciso pensar na vocação de um local antes de lançar um empreendimento, levando em conta a oferta de terrenos, o gabarito e o aproveitamento da área”, completa Villas-Bôas.

Valorização do design e da qualidade de vida
E agora, qual será o desejo dos consumidores do século 21? De acordo com o arquiteto Frederico Bretones, os empreendimentos seguem uma tendência uniforme em todo o país. “Com exceção de algumas exigências locais, existe uma certa padronização nas características dos projetos, até porque a troca de informação entre as diversas cidades é intensa através das mídias digitais”, afirma. Dener Justino, presidente da Opus Incorporadora, de Goiânia, afirma que o Brasil, pela sua dimensão e diversidade, naturalmente apresenta diferenças de conceitos nos projetos residenciais. “Temos cidades áridas, outras mais chuvosas e um litoral enorme. Todos esses fatores, somados às legislações municipais e às culturas de cada região, fazem com que exista uma grande diversidade no mercado”, comenta.

De olho no público do Planalto Central, Justino afirma que um projeto, quando pensado para atender às demandas do consumidor local, apresenta um conceito com características próprias. “Conseguir atender às solicitações dos clientes sempre será um ponto positivo. No entanto, não podemos ficar presos somente a isso, senão corremos riscos de deixar de inovar”, diz. O presidente da Opus confessa que não é fácil alinhar os projetos aos desejos dos clientes. “Somente fazer pesquisas e aplicar os itens em demanda acaba sendo ações insuficientes”, afirma.

Para Justino, muitas vezes a vontade do comprador não irá necessariamente agradá-lo, sendo preciso estar sempre um passo à frente. “Precisamos ouvir os sonhos das pessoas, diagnosticar solicitações que não estão claras e criar novas maneiras de viver, sempre com muito estudo e discussões com bons profissionais”, afirma. No mercado residencial goiano Justino conta que as edificações têm adotado fachadas mais simplificadas nas unidades residenciais. “A planta acaba definindo a fachada, mas estamos tentando quebrar esse paradigma e valorizar valorizar o design como um fator relevante, que colabora para deixar a cidade mais bela”, completa.

No Sul do país, em Curitiba, o Grupo Thá também tem investido em diferenciais para se destacar. Fernanda Viana, gerente de marketing do Grupo Thá, afirma que a empresa sempre faz um estudo do público para o qual irá desenvolver um novo produto. “Nossos projetos baseiam-se naquilo que os futuros moradores almejam”, diz. No segmento de alto padrão, ela comenta que a construtora procura oferecer tudo aquilo que possa ir ao encontro dos anseios desse recorte de consumidores. “A exclusividade e o sentimento de ser único, mesmo em meio a uma grande cidade, continuam em alta.”

A gerente de marketing da empresa paranaense acredita que os edifícios residenciais de todos os padrões têm sido construídos com base em projetos que seguem o mesmo conceito. E isso não é necessariamente ruim. “Cada projeto tem investimentos na segurança e no uso de materiais que compõem um produto de qualidade”, diz. Fernanda aponta que essa característica é positiva porque garante que públicos específicos continuem recebendo aquilo que os representa. Atualmente, em Curitiba, alguns padrões têm sido adotados pelas construtoras visando agradar cada comprador. “No alto padrão são linhas mais clássicas, com diferenciais de segurança, áreas comuns e personalização de projetos. No mercado de entrada, o que vale é uma planta inteligente com áreas comuns vantajosas”, afirma Fernanda. A ideia é oferecer um imóvel que agregue qualidade de vida ao cliente. “Algo disponível em torres multiuso, por exemplo”, completa.

Embora reconheça as vantagens do empreendimento multiuso, Fabio Villas-Bôas, conselheiro do Sinduscon-SP, acredita que esse modelo não deve ser replicado em todas as capitais do país. Ele cita Curitiba e Brasília como exemplos de sucesso dos multiuso. “Em São Paulo, é uma opção interessante e com bastante aceitação em alguns bairros, como Perdizes, por exemplo.” Contudo, ele explica que o mercado brasileiro ainda não tem um bom alinhamento entre oferta e demanda para esse tipo de produto.

“Conseguir atender às solicitações dos clientes sempre será um ponto positivo. No entanto, não podemos ficar presos somente a isso, senão corremos riscos de deixar de inovar.”
Dener Justino, presidente da Opus Incorporadora, de Goiânia

Inovação conceitual tem foco no alto padrão na capital de Goiás

Modelo eletrônico da sala de banho. Projeto incorpora modificações que geralmente são feitas após a entrega, como inversão de dormitórios, home-offices e cozinha com copa

Ficha técnica

Obra Casa Opus Vaca Brava
Localidade Goiânia (GO)
Construtora Opus Incorporadora
Área do terreno 1.500,00 m²
Número de torres 1
Total de unidades 33
Estacionamento 129 vagas de garagem com capacidade para 165 veículos, além de uma vaga para visitante no recuo frontal
Número de elevadores 4

Tipologia
Quatro suítes, disponíveis de 363 m² a 528 m². A ideia é oferecer o mesmo conforto de uma casa em condomínio.
Inovação em projeto e materiais
Há integração total entre sala e varanda, criando um grande living, ideal para receber pessoas com conforto. O home office já é integrado ao projeto, mantendo as suítes plenas. Todas as suítes têm sistema de acionamento de água com monocomando nas bancadas e chuveiros, para mistura de água quente.

Tamanho dos ambientes
As cozinhas têm dimensões suficientes para comportar uma mesa de jantar grande, além de boa ventilação e iluminação natural.

Fachada
Com volumetria diferenciada, valoriza o design inovador e os materiais nobres e duráveis, como revestimento de pedra natural. As unidades têm vista de 180 graus para o Parque Vaca Brava.

Serviços/lazer
Estrutura para concierge, salão de festas, espaço gourmet, praça gourmet, academia, brinquedoteca, jogos, playground, lounge, spa, sauna, solário, piscina com raia de 20 m e infantil com cascata, espaço mulher, porte cochère, sala para motoristas.

Tecnologia
A estrutura inteligente é complementada por tecnologias ainda inéditas em Goiânia, com vidros laminados nos principais fechamentos da fachada e janelas que garantem conforto térmico e acústico. Manta acústica no piso da suíte máster, laje maciça e forro de gesso em todo o apartamento para diminuir a passagem de ruídos. Vidro de fechamento da varanda com desempenho térmico que bloqueia 60% do calor externo.

Sustentabilidade
Bacias com baixo consumo de água, torneiras das áreas com acionamento automático, elevador com sistema regenerativo de energia e infraestrutura para central de ar-condicionado VRF. O objetivo é reduzir as contas de água e energia do morador.

Prémiere com pegada inovadora

O edifício Opus Verti é um projeto que integra a natureza com os apartamentos: as varandas têm um bosque privativo.

Living integrado de apartamento padrão. O projeto incorpora bosque externo e integra na versão original varanda e estar. O fechamento é feito com lâminas de vidro

“Com exceção de algumas exigências locais, existe uma certa padronização nas características dos projetos, até porque a troca de informação entre as diversas cidades é intensa através das mídias digitais.”
Dener Justino, presidente da Opus Incorporadora, de Goiânia

Soho de Curitiba recebe complexo multiuso com conceito inovador

O empreendimento aposta em 13 topologias distintas de unidades residenciais, que vão de 26 m² a 114 m². A cobertura tem piscina com vista para a cidade

Ficha técnica

Obra 7th Avenue Live & Work
Localidade Curitiba (PR)
Construtora Grupo Thá
Área do terreno 73 mil m²
Número de torres 3 – residencial, comercial e corporativa, além de uma galeria comercial que as interliga
Total de unidades 565 apartamentos, 120 offices, 28 escritórios corporativos, 8 lojas. Seu ponto mais alto fica na torre residencial, com 39 pavimentos de 117 m de altura
Estacionamento 637 vagas
Número de elevadores 18
Tipologia
Na torre residencial há 13 diferentes tipologias e formatações de plantas que se adequam ao desejo do consumidor, a partir de 26 m² até dúplex de dois quartos com 114 m². As unidades corporativas têm até 409 m².

Inovação em projeto e materiais
A proposta de edificação multiuso é uma inovação em projeto na cidade.

Tamanho dos ambientes
Os estúdios (com área privativa de 26 m² a 34 m²) oferecem opção de sacada. Os apartamentos de um quarto (com área privativa de 41 m² a 47 m²) também variam conforme opção de sacada. Já os apartamentos de dois quartos (com área privativa de 62 m² a 66 m²) apresentam ampla sala, cozinha, uma suíte e um quarto. As coberturas, com área privativa de 60 m² a 114 m², têm área íntima com um ou dois quartos e mezanino na parte superior; e área social na parte inferior com lavabo.

Fachada
De vidro.

Serviços e lazer
A torre residencial conta com três pavimentos de lazer. O primeiro, no 4o andar, foi planejado para realizar festas e atividades sociais com a intenção de isolar ruídos na parte inferior do edifício. No 19o andar, há área de uso comum com piscina descoberta, solarium, sala de descanso, fitness interno e externo e espaço pilates e ioga. Na parte superior da torre, no 31o pavimento, os moradores contam com áreas sociais de espaço gourmet, pub, home theater, sala de jogos de cartas, lounge externo e fumoir..

Sustentabilidade
O edifício foi construído para receber a certificação Leed Gold na torre corporativa. Para isso, uma série de processos e materiais foi utilizada para a obtenção do selo, como a fachada envidraçada para minimizar o consumo de energia elétrica.

Première com pegada inovadora
O edifício Rio Rhône apresenta entre seus diferenciais desembaçador de espelhos, piso aquecido e ralos lineares.

“Tendência e inovação podem ser introduzidas no projeto através de um método construtivo ou um processo de gestão. […] As características alternativas são usadas para agregar valor e podem ser utilizadas como ferramentas de marketing.”
Fernanda Viana, gerente de marketing do Grupo Thá

Por: Alexandra Gonsalez

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