Quem escolhe o sistema de fôrmas na maioria das vezes opta pela locação. Veja o por quê

Ao optar pelo sistema, o cliente deve comprar ou alugar as fôrmas? A resposta dessa questão não é uma regra. “A venda é melhor para as construtoras que têm obras muito bem planejadas e sempre do mesmo tipo”, pontua o engenheiro Paulo Braatz, diretor da empresa BKS, que fornece equipamentos para locação e compra. Segundo Braatz, há inclusive construtoras que utilizam o equipamento em mais de 100 obras simultaneamente. “Eles planejam com antecedência, mudam só o que não venha a comprometer o uso do nosso produto e têm um resultado muito bom porque aquele equipamento é específico para aquilo”, afirma Braatz.

Na Metro Modular, que também realiza obras convencionais (pilar, viga e laje) e hoje atua mais fortemente em parede de concreto, há cliente que constrói constantemente há mais de cinco anos só com locação. “Ele diz que prefere ter a opção de explorar a arquitetura e não ter que mobilizar um galpão ou cuidar de fôrma”, afirma Edenilson Rivabene, gerente de planejamento da empresa.

No caso das lajes nervuradas é o mesmo raciocínio, assim como no escoramento. “Há muitas construtoras que compraram e chegaram à conclusão de que, como não é o core deles, por falta de expertise de manutenção e espaço de armazenagem, o material acaba sucateado e eles se desfazem do equipamento a preço de sucata”, afirma o engenheiro civil Candido Ribas Magalhães, gerente de projetos do Grupo Orguel.

Seja compra ou locação, quem opta pelas fôrmas deve considerar que o ambiente de obra é agressivo. Ou seja, o sucesso dessa técnica dependerá também da excelência no treinamento da equipe que fará a montagem e a desmontagem. Na hora de contratar uma fornecedora do sistema há outro detalhe a se considerar: o concreto. A melhor fôrma do mundo não vai ter sucesso se o concreto utilizado for inadequado. O transporte, a montagem e desmontagem, a devolução, todos são fatores que pedem de planejamento preciso e execução rigorosa. A relação entre o fornecedor e o usuário também exige acertos estabelecidos em contratos rígidos. Uma vez que todos esses detalhes estejam equacionados, não há dúvida que a fôrma é a mais avançada e vantajosa opção em termos de produtividade, performance e controle ambiental.

 CHECKLIST
O QUE CONSIDERAR AO ESCOLHER UM FORNECEDOR DE SISTEMAS DE FÔRMAS:

Associe o sistema ao tipo de obra. Por exemplo: se a laje de um prédio é reticulada, o sistema deck dificilmente vai dar certo. Como são necessárias muitas vigas, existe grande possibilidade de ocorrer espanos na laje.

Prefira fornecedores que usam equipamentos leves, que oferecem facilidade de montagem e transporte.

Cheque se a fôrma permite recuperação, de forma a gerar uma taxa de indenização menor na locação.

Esclareça os custos inerentes após a devolução das fôrmas, especialmente no que se refere à limpeza. Algumas empresas cobram por esse serviço e isso precisa estar explicitado no contrato para evitar as “pegadinhas”.

Tenha cuidado com a quantidade de acessórios. O ambiente de obra é agressivo e um sistema com muitas peças e equipamentos corre o risco de perdas, o que pode implicar em custos extras de devolução e gerar problemas na relação entre as empresas.

Preste atenção no recrutamento da mão de obra. Não adianta adotar um sistema de fôrmas avançado com preço fechado por metro cúbico se a relação homem/hora for baixa. A construtora deve ser coerente com o avanço tecnológico do sistema e buscar uma equipe ágil e altamente produtiva.

Evite o assoalhamento permitindo a desforma no quarto dia após a concretagem, se o concreto atingir o fck inicial, com autorização do calculista. Preveja os pontos de escoramento deixados na montagem. Inclua na escolha do sistema a velocidade de montagem e desmontagem que ele permite.

Combine alta produtividade com transporte fácil. Calcule o peso do material, o preço do caminhão e da mão de obra que vai ser utilizada.

Em lajes nervuradas, atenção aos detalhes do desenho. As diferenças determinam grandes divergências no consumo final do concreto.

Por: Gustavo Curcio e Lidice-Bá

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