Após proibição do uso de amianto, Grupo Eternit pede recuperação judicial

O Grupo Eternit, fabricante no segmento de coberturas, louças, metais sanitários e soluções construtivas, informou na última semana que entrou com pedido recuperação judicial em uma comarca da capital de São Paulo, em uma tentativa para preservar a continuidade de suas atividades em meio a restrições à produção de amianto. A companhia está presente no Brasil desde 1940.

“[A recuperação judicial] foi uma maneira de se antecipar a uma eventual situação em que obrigações financeiras não pudessem ser cumpridas, inviabilizando a sua operação”, afirmou a empresa em um fato relevante. O grupo possui 1,7 mil funcionários, oito fábricas próprias, uma mineradora (amianto crisotila) e cinco filiais de venda, além de 15 mil revendedores em todo o Brasil.

No documento, a empresa disse que as discussões legais sobre a extração, industrialização e utilização de amianto vêm impactando as operações do grupo, além de limitar o acesso da companhia a novas linhas de crédito. Vale lembrar que p Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu no fim de novembro a extração, industrialização e comercialização do amianto variedade crisotila, produto largamente utilizado no país na fabricação de telhas e caixas d’água, considerado nocivo à saúde humana.

“O Grupo Eternit informa que dará prosseguimento a todas as suas atividades de forma organizada e com prazos e procedimentos pré-definidos, com a coordenação de todos os envolvidos no processo de reestruturação. As ações visam a proteger o caixa da empresa, preservar seus colaboradores e garantir as mesmas condições comerciais com seus clientes e fornecedores”, afirma o comunicado.

Estima-se que a empresa tenha dívidas de cerca de R$ 229 milhões.

Por Gabriel Gameiro

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