Com índice de confiança crescente e alta nos investimentos nos últimos três meses de 2017, mercado imobiliário paranaense vive reaquecimento após 15 trimestres

Desde o segundo trimestre de 2013 o mercado paranaense não assistia a tamanho salto nos investimentos. Os números ainda parecem tímidos se comparados aos da década anterior, mas o que faz o setor acreditar numa recuperação efetiva são os números divulgados pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) no final de 2017. O Índice de Confiança da Indústria da Construção (ICIC-PR) subiu 7,9 pontos no mês de setembro. “Esse índice está na área de otimismo desde junho, desta vez, situando-se em 59,2 pontos”, aponta o relatório Balanço 2017, divulgado este mês pelo SindusCon-PR. O ICIC-PR de setembro de 2017 registrou 6,0 pontos de aumento se comparado ao mesmo período do ano anterior e 2,4 pontos acima do ICIC-PR histórico (veja tabela abaixo).

“Em todo o Paraná a perspectiva para 2018 é favorável. Graças ao agronegócio, o interior do estado foi menos impactado pela crise e apresenta um estoque menor, se comparado à capital Curitiba”, comenta Sérgio Crema, presidente do SindusCon-PR. Segundo o especialista, o mercado residencial deve ser mais rapidamente retomado, dada a recuperação de renda, empregos e crédito e a pressão da demanda, devido aos ciclos demográficos. “No âmbito de imóveis comerciais, especialmente no mercado de escritórios, há ainda maior ociosidade e menor velocidade na retomada”, explica Crema. Ainda de acordo com o presidente da entidade, “acredita-se que em apartamentos de metragens menores e produtos associados ao Minha Casa Minha Vida, de primeira moradia, haverá bom desempenho neste ano”.

“O número de lançamentos em Curitiba não crescia desde 2011. Em 2017, tivemos um aumento de 10% no número de lançamentos, se compararmos a 2016. Mas não devemos nos enganar, pois temos como base um dos piores anos da história do mercado.”
Marcello Thá, diretor de incorporações do Grupo Thá

Rio Rhône, lançamento do Grupo Thá: 19 apartamentos, um por andar, distribuídos em 22 andares. As plantas são personalizáveis e partem dos 300 m² de área privativa nas unidades tipo até 804 m² na cobertura triplex, que terá piscina de borda infinita

Perspectivas para o setor
Em sondagem realizada em novembro de 2017 com 200 empresas do setor da construção, revelou-se uma perspectiva de aumento nas contratações em 34% dos entrevistados. Cerca de 54% espera manter o quadro de funcionários e apenas 12% espera diminuir o contingente (contra 19% em 2016). Ainda de acordo com a pesquisa, espera-se contratar em 2018 cerca de 628 trabalhadores, o que significaria um aumento de 16% no efetivo atual ainda neste ano. “Espera-se para o decorrer do ano um maior volume de lançamentos e perspectivas de recuperação no desempenho comercial”, completa Crema. Cerca de 20% das empresas sondadas já têm lançamentos previstos para o ano e outros 40% têm a intenção de lançar novos empreendimentos. Ao todo, cerca de 3044 unidades já estão previstas em lançamentos. No entanto, há ainda cautela por parte dos investidores. “O número de lançamentos em Curitiba não crescia desde 2011. Em 2017, tivemos um aumento de 10% no número de lançamentos, se compararmos a 2016. Mas não devemos nos enganar, pois temos como base um dos piores anos da história do mercado.Esta reposição de estoque das incorporadoras está sendo feita com novos parâmetros de preço e muito mais criteriosa, assim como o adquirente exerce a compra de maneira menos impulsiva do que durante o boom”, explica Marcello Thá, diretor de incorporações do Grupo Thá.

Alto padrão em foco
Focada no segmento comercial e residencial de alto padrão, a Laguna atua principalmente na região de Curitiba. Segundo André Marin, diretor de incorporação da empresa, 2017 foi um ano muito bom. “Em 2016, por opção da Laguna, não tivemos lançamento. Zeramos os estoques e focamos na reestruturação da empresa. Em 2017 voltamos a lançar, com um grande empreendimento no Batel em novembro. Vendemos 40% das 31 unidades até o final do ano, a R$ 13.000,00 o metro quadrado”. Com relação a vendas, o diretor afirma que 2017 foi o melhor ano de vendas da Laguna, no mercado há 20 anos. “Para o setor em geral, vejo possibilidade real de melhora em 2018, com retomada de crescimento do PIB. O reflexo disso, em minha opinião, se dará principalmente em relação ao mercado de imóveis comerciais”, completa.

Segundo Marin, os indicadores econômicos— com a inflação controlada e taxa de juros na casa dos 7% — apontam que o dinheiro voltará gradativamente a circular, inclusive para o investimento em imóveis. “Juros baixos indicam melhores taxas de financiamento”, explica. “Estamos animados com o lançamento de dois empreendimentos que representam o dobro do investimento de 2017. Serão em torno de 70 unidades, em regiões distintas de Curitiba. Como trabalhamos com baixo estoque, essa notícia é excelente”, conclui. Um dos terrenos dos lançamentos tinha originalmente 15 mil metros quadrados e foi adquirido em 2013. A gleba em dois lotes. Um deles foi usado em um empreendimento que foi entregue no ano passado. O outro será usado em um dos lançamentos de 2018. O ROC — Residence Open Concept, de alto padrão, terá unidades de 104 m2 a 314 m2 e será erguido no bairro do Batel, na capital paranaense O lote do lançamento número dois foi adquirido em 2017. Para o gestor, o mercado imobiliário brasileiro saiu da crise mais maduro, tanto do lado do cliente, que não compra mais qualquer coisa, quanto do lado das incorporadoras, que estão produzindo projetos de melhor qualidade.

ROC — Residence Open Concept, de alto padrão, terá unidades de 104 m² a 314 m² e será erguido no bairro do Batel, na capital paranaense

“Estamos animados com o lançamento de dois empreendimentos que representam o dobro do investimento de 2017. Serão em torno de 70 unidades, em regiões
distintas de Curitiba. Como trabalhamos com baixo estoque, essa notícia é excelente.”
André Marin, diretor de incorporação da Laguna

“Os indicadores do mercado curitibano vêm melhorando a cada trimestre, de maneira bem mais vigorosa nos últimos meses, o que projeta uma grande melhora para 2018.”
Marcello Thá, diretor de incoporações do Grupo Thá

Para Marcello, historicamente a reação do mercado nacional tem início no estado de São Paulo. No entanto, afirma que o Grupo Thá “já sabia que o retorno de algumas grandes incorporadoras aos seus mercados de origem, aliado ao baixo estoque de bons produtos anteciparia este ciclo em Curitiba”. A diretoria do Grupo enxergou o ponto de inflexão, e então lançou 3 empreendimentos em 2017. “Os indicadores do mercado curitibano vêm melhorando a cada trimestre, de maneira bem mais vigorosa nos últimos meses, o que projeta uma grande melhora para 2018. A Thá foi responsável por 10% dos empreendimentos lançados, e acreditou desde cedo que o mercado imobiliário entraria em um novo ciclo. Começamos a sentir melhora a partir do primeiro trimestre de 2017, motivado pela queda dos juros, aumento da confiança de consumidores e empresas, bem como de empregos e crédito” explica.

Em março, lançou o Maison 29. “Vendemos 30% apenas na primeira semana”, conta o gestor. Em maio, lançaram um empreendimento de alto padrão no tradicional bairro do Batel, o Rio Rhône, que superou as projeções. Em dezembro o Grupo Thá ousou com o lançamento de um supercompacto de 17 m², o All You Need. “Vendemos 40% em um único final de semana. Ou seja, fomos a única a lançar 3 empreendimentos em 2017 e tivemos um desempenho excepcional, em metragens de produtos de 17 à 300 m²”, comemora Thá. “Em 2018 acreditamos em uma melhora ainda mais significativa e temos até agora 10 lançamentos previstos, vários em parceria com ROC — Residence Open Concept, de alto padrão, terá unidades de 104 m² a 314 m² e será erguido no bairro do Batel, na capital paranaense. 90 dias após o lançamento, 50% das unidades do Maison 29 já foram comercializadas. investidores, que assim como nós acreditam que quem se antecipar colherá os melhores frutos”, prevê.

90 dias após o lançamento, 50% das unidades do Maison 29 já foram comercializadas

“Sempre existiu um pequeno gap de tempo entre a retomada do mercado de Curitiba e de outras grandes cidades do Paraná, porém o bom desempenho do agronegócio vem alterando essa máxima. Temos uma operação em Londrina com 4 empreendimentos e sentimos uma sensível melhora. O mercado local se prepara para voltar a lançar”, explica Thá. Segundo o gestor, a migração de recursos de aplicações da renda fixa para a poupança trará mais recursos e menores taxas de juros para o financiamento imobiliário, o que deverá impulsionar o segmento de produtos para a classe média. “Este é o cenário ideal para investimentos, para quem pensa na casa própria e a longo prazo”, explica. Prova disso é a pesquisa da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi/PR) com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR) e Brain Bureau de Inteligência Corporativa, o Perfil Imobiliário 2017, que mostra que o número de unidades lançadas em 2017 foi 48,7% maior do que em 2016. Bons resultados em 2017 animam para 2018.

“Há sinais claros de recuperação. A economia mostra estes sinais. O Grupo Thá atua, além da incorporação, na prestação de serviços de construção em grandes obras em todo o Brasil”, argumenta. Essa recuperação pode ser verificada, segundo Marcello, diante do aumento na demanda por centros de distribuição, shoppings centers, hospitais, indústrias, varejo entre outros. “Ninguém investe se tiver sinais claros de recuperação. Ou seja, os orçamentos estão virando obras”, conclui.

Com projeto arquitetônico assinado pelo escritório Realiza e paisagismo de Jayme Bernardo, o Rio Rhône, do Grupo Thá, oferece unidades com plantas de 295 a 635 m²
All you Need, do Grupo Thá. 40% vendido em um único final de semana

Por Marília Muylaert

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