Em off: bastidores da construção

Silvio Santos e o Teatro Oficina

Viralizou o vídeo da discussão debochada entre Silvio Santos, José Celso Martinez e o prefeito de São Paulo João Doria. Poucas vezes flagrado nos bastidores, o Homem do Baú mostrou que não construiu seu patrimônio por acaso. O Grupo Silvio Santos precisa obter aval do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão federal, para pleitear o alvará da Prefeitura para erguer duas torres residenciais no terreno ao lado do Teatro Oficina. O diretor do Oficina é contra a construção e defende equipamentos culturais no local. Segundo Zé Celso, as torres iriam encaixotar o projeto de Lina Bo Bardi.

Política de Estado, não de governo

O Programa Minha Casa Minha Vida deixou de ser uma política petista de governo. Essencial para manter vivo o mercado da construção civil — o programa manteve a pujança graças ao financiamento mantido pela Caixa mesmo em tempos de crise — é defendido como indispensável por mortadelas e coxinhas. Juntas, as construtoras Tenda, MRV e Direcional lançaram empreendimentos com valor de vendas de 2 bilhões de reais em 2017, um crescimento de 55,5% na
comparação com o ano anterior.

A falência do gigante britânico

Fracasso de negociações com bancos e governo levou grupo britânico da construção Carillion à falência. “Nos últimos dias, não fomos capazes de encontrar os fundos para manter nossa atividade e, com grande dor, tivemos de tomar essa decisão”, anunciou o presidente do conselho de administração do grupo, Philip Green em janeiro deste ano. Mais de 40 mil funcionários em todo o mundo foram diretamente impactados pela notícia, sendo 19 mil no Reino Unido. O argumento da diretoria para um eventual aporte ao grupo é o da prestação de serviços ao exército e às escolas.

Ainda falta muito…

Embora o mercado da construção esteja sentindo os efeitos do fôlego de retomada — graças aos indicadores econômicos — ao analisar os números de 2017 ainda sente calafrios. Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor encolheu pelo quarto ano seguido em 2017, com crescimento negativo de 6%. Nos bastidores, justifica-se o travamento do setor à dificuldade de crédito — na Caixa, hoje bloqueado pela necessidade de capitalização para enquadrar-se nas regras prudenciais da Basileia — e à demora na contratação dos empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida. Das 20 mil unidades autorizadas em junho de 2017, só foram contratadas mil.

Ou vai, ou racha

Para o presidente do Secovi-SP, Flávio Amary, a retomada efetiva do setor — e do Brasil — está diretamente condicionada à aprovação da Reforma da Previdência. “Quanto mais estudamos a preocupante situação da Previdência no Brasil, mais entendemos que, em pouco tempo, não haverá recursos suficientes para garantir aposentadorias. Se a reforma da Previdência não ocorrer imediatamente, qual será o destino de nossos idosos? Acabana? O penhasco?”, disse em nota publicada pelo site da entidade.

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