Impermeabilização de lago e de bosque suspensos foi a principal desafio de obra em Goiânia

Impermeabilização é um assunto delicado na construção civil. Quando se trata de realizar esse processo em projetos de piscinas e lagos, o cuidado de projetistas e toda a equipe de obra precisa ser redobrado. Assim tem sido o projeto do Botanic Consciente Life, empreendimento da Consciente Construtora e Incorporadora e primeiro residencial com bosque e lago suspensos em Goiânia. A obra exigiu o trabalho de uma equipe multiprofissional, tanto nos projetos, quanto na execução, composta de engenheiros civis e hidrossanitários. A estrutura de lazer foi implantada no mezanino do edifício de 41 pavimentos.

De acordo com o engenheiro responsável pela obra, Leonardo Menezes, não foi um trabalho fácil preparar o espaço com área verde de 3 mil m2, composta por 1622 plantas de mais de 30 espécies vindas de São Paulo, e um lago de 148 m², suspensos. Segundo ele, as lajes sobre as quais ficam o lago e o bosque foram a principal preocupação da equipe. “É necessário que ela resista às pressões hidrostáticas de percolação, coluna d’água, gases, além de ter que apresentar aderência, flexibilidade, resistência, estabilidade físico-mecânica e vida útil compatível com as solicitações previstas no projeto”, explica o engenheiro.

Para garantir que não haja riscos de vazamento, acima da laje de concreto, a equipe da Consciente Construtora e Incorporadora teve o zelo e cuidado na execução de várias camadas de proteção para assegurar a estanqueidade do lago, impermeabilizando e revestindo o piso e as paredes. Foram feitas as etapas de regularização com argamassa, impermeabilização com manta asfáltica, manta de drenagem para impedir que lama e detritos obstruam as tubulações de renovação da água, além da manta emborrachada que reveste o lago, junto com pedriscos, pedras e areia. Ao final o lago receberá 150 carpas, peixes cujo tamanho pode variar de 15 a 34 cm.

Segundo o engenheiro Leonardo Menezes, o principal desafio foi o de assegurar uma vedação de 100%, caso contrário, a água do lago poderia infiltrar no estacionamento, abaixo da laje. “Desse modo, além do excesso de camadas protetivas, antes de aplicarmos a proteção mecânica com contrapiso, fizemos um teste de estanqueidade durante 20 dias, muito acima do exigido pela norma técnica da ABNT, que impõe teste mínimo de apenas 72 horas, tudo isso para assegurar a estanqueidade do lago”, esclarece Leonardo.

O Lago

Para a composição do lago, outras medidas de segurança foram tomadas para dar sequência ao trabalho. De acordo com Carlos Savale, diretor da Ecovalle, empresa paulista responsável pela preparação do lago do Botanic, assim que a equipe de engenharia aprova o layout do lago, é feita a definição do tipo de borda, com paredes retas ou com pedras, como foi a escolha do empreendimento. Na sequência, é feita a moldagem das paredes com terra e inclinação específica para intertravar as pedras, prevenindo que elas se movam. “Precisamos dessa preparação para dar início à fase de impermeabilização”, afirma.

A etapa seguinte, colocação da manta geotêxtil em toda a extensão das paredes do lago, marca, segundo Savale, o início do processo de impermeabilização, que é mais um reforço ao trabalho de vedação na laje. A parte mais importante vem com a aplicação da manta de borracha EPDM, também em toda a extensão do corpo d’água. “Em comparação com a manta asfáltica, ela é mais rápida de aplicar, com mais resistência e durabilidade”, explica.

A manta emborrachada tem 300% de elasticidade e resiste a temperaturas que vão de -43ºC à 82ºC, de modo que sua implantação é possível nas mais variadas condições. Além disso, reforça o diretor da Ecovalle, ela não resseca como a manta asfáltica, que por conter plástico, pode se danificar e possibilitar vazamentos com o passar do tempo. “Além disso, é uma manta atóxica, não alterando o pH da água onde vão viver os peixes. No caso da manta asfáltica, o cimento fica exposto, liberando calcário na água. Este processo altera o pH da água e deteriora as guelras dos peixes, que são fundamentais para o funcionamento da filtragem”, explica Carlos Savale.

Depois da aplicação da manta EPDM, é preciso protegê-la mecanicamente com outra camada de manta geotêxtil. “É como um sanduíche de manta EPDM. Esse trabalho é necessário, uma vez que o intuito é colocar 35 mil quilos de pedra, nas paredes e as de pisada que irão formar passarelas dentro da água”. Depois disso, coloca-se a areia branca especial (que também não altera o pH da água), pedregulhos para decorar e esconder a borda que ficará com manta preta, a água e os peixes. Todo esse processo leva 15 dias.

Filtragem

Com 148 m², o lago do Botanic possui características sustentáveis. De acordo com o diretor da Carlos Savale, o corpo d’água foi desenvolvido para ser autolimpante. Três sistemas fazem com que isso dê certo: a engenharia do lago, a tecnologia e os peixes que irão compor a fauna dele. Com cascata em uma ponta e filtro na outra, além de uma leve inclinação no terreno, foi possível produzir uma correnteza que irá levar as impurezas da superfície até o ponto de filtragem. Para colaborar com esse sistema, serão colocadas 150 carpas, peixes de 15 cm a 34 cm, que além de contribuir para a estética, colaboram para a limpeza do lago.

“As carpas são animais que se alimentam no fundo do corpo d’água. Ao comer, elas levantam poeira e junto com ela, sujeiras. Com a precipitação dos dejetos, a correnteza artificial encaminha tudo para o filtro, promovendo uma limpeza automática. Como os peixes dessa espécie não têm estômago, elas ficam o dia inteiro nesse processo e assim não precisamos aspirar a poeira do fundo”.

De acordo com Savale, na ausência de peixes o lago ficaria cheio de sujeira, e as paredes lodosas e com fungos. Depois de filtrada a água retorna, via dutos, para a cascata, que a devolve para o lago. “Com esse processo, conseguimos dar garantia de água cristalina por tempo indeterminado”, garante Carlos Savale

Paisagismo

Assinado pelo paisagista Benedito Abbud, o projeto paisagístico levou em consideração as características do lago, como a disposição da orla do corpo d’água. De acordo com o engenheiro Leonardo Menezes, por se tratar de um jardim suspenso, a quantidade de espécies de plantas que poderiam ser escolhidas era limitada e a forma de plantio específica.

Segundo ele, mais de 30 espécies de plantas como Palmeiras Imperiais, Carpentarias e Quaresmeiras irão compor a área verde que terá 3 mil metros quadrados, e que recebeu 500 m³, ou seja, 500 caminhões de terra e de substrato. São plantas de pequeno, médio e até grande porte, que atingirão, em fase adulta, dez metros de altura. “Para garantir que as raízes dessas plantas não representassem um risco para a impermeabilização da laje, do lago e de toda a estrutura, as plantas estão sendo fixadas com técnicas chamadas raízes horizontais. Desse modo, as raízes crescerão lateralmente e não terão condições de perfurar o assoalho”, revela o engenheiro responsável pela obra.

Outra garantia de que isso não irá ocorrer é o próprio sistema de vedação e a estrutura do lago. “A manta Geotêxtil, que está apoiada na parede de pedra e terra tende a fazer com que as raízes encontrem naturalmente outra forma de se desenvolver. A pressão que a água do lado exerce sobre as paredes também é um apoio fundamental”, revela Carlos Savale.

Confira um exemplo de aplicação de manta asfáltica

POLMATERIAIS NECESSÁRIOS:
– Luvas de raspas
– Colher de pedreiro
– Objeto cortante (estilete)
– Maçarico de alta potência
– Rolo de pintura de lã

1º Passo – Regularização
Quando fizer o piso (argamassa com Viafix) dar caimento para os ralos, arredondar os cantos verticais e horizontais em meia cana (aproximadamente quatro dedos de distância).

2º Passo – Imprimação
Aplicar uma demão de primer, que pode ser Adeflex ou Viabit ou Ecoprimer, em toda a área do piso e nos rodapés, na altura adequada a cada caso.

3º Passo – Aplicação da Manta
Aquecer simultaneamente com chama de maçarico o piso e a manta.

3º Passo – Continuação
Avançando o rolo com o pé.

4º Passo – Detalhe do Rodapé
A colagem da manta deve ser feita em duas etapas: a 1ª a ser aderida é a do plano horizontal (piso), para depois na 2ª etapa aderir a do plano vertical (parede).

5º Passo – Teste de Estanqueidade
Após a aplicação da manta, feche as saídas e encha o local com uma lâmina de água, verificando assim se a impermeabilização está perfeita.

6º Passo – Camada Separadora Viapol
O filme plástico deve ser aplicado no piso após o teste com água, para evitar esforços mecânicos sobre a manta asfáltica.

7º Passo – Proteção Mecânica de Transição
Sobre a camada separadora aplique a argamassa em cimento e areia (traço 1:4 com espessura de 3 cm). Por último, aplique o acabamento.

Por Isadora Macedo

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