Em foco: lean construction

Texto Allaf Barros | Fotos Luciano Vicioni

Desde 1994, um grupo de pesquisadores tentam aplicar o modelo do toyotismo na construção civil. É o que conhecemos como lean construction, construção enxuta que procura aumentar a produtividade e a eficiência de uma obra e reduzir ao máximo o volume de desperdícios. No decorrer dos anos, esse sistema construtivo ganhou diversas ver-tentes e uma certa ocidentalização. O Lean Construction Institute do Brasil segue a corrente japonesa para executar projeto de obras. “Fiz uma série de visitas ao Japão e vi na prática como eles aplicam esse modelo”, comenta o engenheiro Antonio Sergio Itri Conte, diretor da Logical Systems Consultoria e presidente do Lean Construction do Brasil.

Para falar sobre o assunto, o instituto convidou Fábio Shimizu, engenheiro brasileiro que há 26 anos atua na coordenação de projetos executivo de obras de cinco grandes construtoras do Japão: Taisei, Obayashi, Shimizu, Kajima e Takenaka. A palestra foi realizada no Hotel Grand Mercure, na capital paulista.

“Quero provocar um choque de gestão na conversa com os engenheiros aqui do Brasil. Tentar aproximar as nossas construções com as japonesas, ver o que dá para aprender com eles em questão de gestão de planejamento”, comenta.

“Quero provocar  um choque de gestão na conversa com os engenheiros aqui do Brasil. Tentar aproximar as nossas construções com as japonesas, ver o que dá para aprender com eles em questão  de gestão de planejamento.”

Fábio Shimizu 

Segundo Shimizu, a construção civil no país asiático não é somente maquinário, como muitas pessoas pensam.

A grande diferença com o Japão, segundo ele, é a dificuldade de colocar os pensamentos para ser praticados na obra. “No Brasil existe uma defasagem muito grande entre o que é ideal e o que
é feito realmente”, compara.

Em sua fala de abertura do evento, o engenheiro Antonio Sergio Itri Conte disse que o maior desafio para os engenheiros brasileiros não é estudar e entender o conceito do lean construction, mas sim buscar o seu significado na essência, ou seja, a eficiência que o método pode trazer para os canteiros de obra do país. Conte aproveitou a ocasião para falar de sua experiência com o sistema construtivo japonês, e logo em seguida fez questão de apresentar todas as empresas participantes do evento, despertando uma possível rede de network entre engenheiros, construtoras, incorporadoras e fornecedores de materiais que estiveram presentes.

O convidado Fábio Shimizu começou sua palestra “Aplicação na Construção Civil: Minhas Experiências no Japão (Lean System)” falando sobre a visão que o país asiático tem do Brasil. Ele exaltou
a arquitetura brasileira, relembrando a exposição da obra de Oscar Niemeyer e mostrou o lado positivo e negativo, segundo a visão dele, das impressões de quem vive fora ou é estrangeiro.

Detalhando sua apresentação, Shimizu trouxe o contexto do Japão no passado – reconstrução do país no pós-guerra, a industrialização (toyotismo), as catástrofes naturais. E abordou ainda os
grandes feitos da construção civil japonesa para ilustrar porque 10% do PIB do país em que vive está vinculado ao setor. A necessidade de planejamento tecnológico em obras e métodos  desenvolvidos pelas construtoras japonesas também fizeram parte da exposição inicial do engenheiro.

Shimizu aproveitou a ocasião e detalhou como é a execução de uma obra feita baseada no método lean. Os engenheiros presentes puderam ver vídeos e pranchas com ricos detalhes de diversas etapas de uma obra, além da apresentação de como os engenheiros usam o método no Japão para a construção de prédios comerciais e residenciais